sábado, 21 de fevereiro de 2015

Fui poeta,
e quando morri
disseram:
"Não foi nada
útil à humanidade".
Quando morreram,
nada útil da humanidade
os salvou.

Alex Moura.
Tardes são deprimentes,
elas se postam entre as
manhãs promissoras e as
noites imprevisíveis.

Enquanto manhãs cheiram
a café, tardes ficam, se demoram,
se arrastam, e desconfio
que seja o motivo das noites
serem tão aguardadas.

Contudo, quando é tarde da noite,
a tarde pode, semanticamente,
ser salva.

Alex Moura.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O oco fora do vácuo

A recorrência de enxergar
os vazios é capacidade extra
de enxergar ou carência visual
ao que vê?

Há tempos enxergo no mundo
perspectivas tão cheias de nada,
expectativas vazias de tudo,
silêncio alto, um berro mudo.

O que entra aos sentidos:
olhos, ouvidos, dependendo de como
digeridos enchem ou esvaziam,
e nesse tráfego entre vazio e cheio,
muito e pouco, transito na dúvida
se meu pensamento é vácuo ou oco.

Alex Moura.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Subjugado o mito
chega a humanidade
à razão.
Solução para as certezas
dos problemas sem solução.

No mundo das soluções,
se a cada pessoa um mundo,
um mundo cheio de razões.

Vendedores de certezas
destilando veredito
hão de concordar
que viver de razão é mito.

Alex Moura.
Corto os pulsos,
sujo a pena,
viver sujo de sangue
envenena.

Enforco-me com minhas fases,
da primeira à última dose
vou vivendo dos meus quases.

Alex Moura.