domingo, 17 de dezembro de 2017

Prisão perpétua

prende vigas
no pensamento
mobilidade de hábito
é coisa difícil
o mundo nunca girou
duas vezes iguais
a cada giro
todos têm um dia
a menos ou a mais

e a menos
que não percebamos
a transmutação do mundo
passará despercebida
preconceito
brincando de vida

mobilidade de hábito
é coisa difícil
e vivemos presos
em nossos corpos
e mentes
que deveriam
ser templos de criação
e transformamos em prisão
de atos sonhos e pensamentos.

Alex Moura

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

sujos (haja haja)

fuligem de hora
é o tempo que passa
poeira é aquilo
que fica no ar
flutuando
ocupando o espaço
que não seria

assenta nos móveis
porque espaço também cansa
e quando a flanela avança
pra recolher poeira
voa tempo pra tudo que é lado
e aquilo que chamamos de limpo
é só a vida começando de novo.

alex moura

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A hora é agora

os relógios atualmente
têm setenta e dois ponteiros
um para cada minuto
um para cada hora
qualquer momento é agora
o tempo que é imóvel
dá a impressão que demora

ponteiro atrás de ponteiro
carrossel brincando de instante
o momento não sabe se é agora
depois ou se é antes

e a humanidade
carente de alguém que
a explique a si mesma
acredita que
está sempre atrasada
na tentativa em vão
de cumprir tudo
não tem tempo pra nada

Alex Moura
Os prazos perdidos

só tenho
acesso ao descanso
quando o cansaço
se encarrega
de fechar-me os olhos

quando não
mato o galo
de madrugada
e começo uma festa
dentro de mim
regada a pensamento alto
e a uma ansiedade
que não tem mais fim

não que eu queira
que seja assim
é que descanso
quase sempre
não parece direito
mas privilégio

eu já sabia
lá nos tempos
de colégio
que tem galo
que não canta nunca

Alex Moura