terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Problemas cartesianos

caminho, remetido
a pensamentos
orgulhosos de
ganhar-mundo,
pelas ruas de Beijing.
senhor de mim,
com o prêmio
de prosperidade
estufando o peito,
feliz de mim mesmo,
extravaso
recursos cartesianos
- pensei e estou
existindo do outro
lado do mundo -.

preso pela pata
em um altar de metais
enferrujados e retorcidos
um papagaio dirige-me
uma oração inteira
em mandarim.
sem compreender
uma única vírgula,
pobre de mim.

por aqui,
os papagaios
existem mais do que eu.

Alex Moura

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Pedrada

tanta coisa
no meio
de um caminho,
um oceano inteiro:
- grande Kalunga!
resmunga
alguém que aportou
por aqui.

tanta coisa
no meio
de um caminho:
o banzo,
o banjo,
a resistência.
batuque de samba,
de arte e ciência.

havia
uma pedra
no meio
do caminho,
mas era de sal,
conserva
da história
que terminou
no maior carnaval.

Alex Moura

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Racionalismo

hoje
eu não quero
escrever nada.
quero sentar
na mesa do bar
e ignorar
códigos verbais
que transmitem
e recebem mensagens
dotadas de sentido.
onírico, antiempírico.
hoje eu não quero
sentir nada.

Alex Moura

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

síndrome de lugar e hora errados (haja haja)

eu não devia
estar onde estou,
procrastinei
tudo quanto pude,
empurrei com a
barriga
trabalho e saúde.
o que ilude
é a certeza
de que tudo
vai ficar bem
no final.

estou para além
da vida,
lá onde não há
mais nada de mim.
onde tudo
está terminado.
um lapso
de consciência
atrasado
que faz
parecer meio
aquilo que já é fim.

Alex Moura

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

pra não dizer que não falei de foda-ses

antes de por
os dois pés
pra fora da cama
a mente atravessa
o cedo do dia:
será que é hoje
que eu morro?
o intervalo
entre o alerta
e o socorro
virou vigília.
viver
virou aquele
intervalo entre
um ou dois pés
no chão
na hora do passo
apressado.

até que se
cansa de
tanto correr.
tem horas que,
vou te dizer,
foda-se o tropeço.

Alex Moura

quarta-feira, 24 de outubro de 2018


Esperança

cuidado
com aquilo
que você pensa,
pode ser
seu último
pensamento.

capriche
naquilo
que você fala,
pode ser
sua última
palavra.

lute
por aquele
que você é,
pode ser
seu único ser.

tenho
bebido tanto
por conta
da conjuntura,
que esse
poema-cirrose
haverá de me
livrar da tortura.

Alex Moura
Doutrinadores

com o que,
afinal,
precisamos
prestar contas?
onde estavam
nossas consciências
quando seguíamos
a passos largos
o caminho
do mais injusto
esquecimento?
por quem seremos
daqui por diante?
tome seu chapéu,
vista seu casaco
e caminhe
com atenção,
porque sua vigília
sobre si mesmo
pode ser a última
lembrança
que o mundo
guardará de você.

essa noite
dormiremos
e amanheceremos
em algum canto.
seja de uma esquina,
de uma cela
ou de algum pássaro.

Alex Moura

sábado, 13 de outubro de 2018

É verdade esse bilete

há um muro
intransponível
entre a mentira
e a mentira,
a que tira tudo
do lugar
de onde está.

o lugar onde estava
tudo o que a mentira
tira era verdade.
pêndulo do tempo
que sempre
há de voltar
pro mesmo lugar.

já se sabe como,
só não se sabe quando
e nem se haverá
algum de nós pra contar.

Alex Moura

terça-feira, 9 de outubro de 2018

E aqueles que foram vistos dançando

o mundo,
ultimamente,
anda tão carente
de instinto.
tudo precisa
fazer sentido,
ser racional,
que nas últimas
festas o pessoal,
se esforçando pra
segurar os copos
nas mãos,
não perceberam
quantas danças
clamavam por seus pés.
parados, somente razão,
desperdiçavam a potência
de instintos, famintos,
desejando seus corpos.

Alex Moura

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

vinte e dois de setembro (trombando em jeitos)

eu
quando nasci
sabia
que ainda
tinha mais
por vir

daí
você veio
fez todo
o que era meio
agora juntos
parece que somos
todo mundo.

Alex Moura

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

as pontes altas

tinham dias
que nem sair
eu queria,
contava o tempo,
ia existindo
sem saber
se estava sendo.

as coisas
iam acontecendo
porque tinham
que acontecer.

exaustivo quando
a vontade é desexistir,
mas temos
a obrigação de ser.

Alex Moura
três de setembro (trombando em jeitos)

aquilo
que você carrega
de você
sem perceber
a cecilia
em estado natural
quase sem querer
informal

despenteada
com muita
coisa pra fazer
mas sem querer
fazer nada

a cecilia
de todos os dias
sem se dar conta
do que fazia
entre um boa noite
e um
puta que pariu
forjou
inconscientemente
o melhor de mim
que já existiu.

Alex Moura

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

debaixo de sete palmos

algo que tá
dentro de mim
me confessou
que nunca mais
vou ser feliz.
foda-se!
isso nunca foi
o que eu quis.

condenado
a existir,
vou demorando
por aqui,
até que um dia
eu, ou a vida, acorde,
olhe nos olhos
do outro e diga:

desculpe,
o problema
não é você,
é comigo.

e saia cantando
aquela música
do Milton
que fala de amigo.

alex moura

terça-feira, 14 de agosto de 2018

dos noves de agosto (trombando em jeitos)

ser pra sempre
demanda tempo
e a gente
vive brincando
de não existir.
todo mundo
traz em si
a potência
da imortalidade.

aquilo que fica
quando alguém
já não está
é o recurso
da memória
erguendo
as eternidades.

ontem
o dia foi cheio,
mesmo cansado
demorei pra dormir.
hoje,
pisando no freio,
sentei no bar,
pedi uma cerveja,
lembrei de você
que voltou a existir.

Alex Moura. Niterói, 09/08/2018, 12 anos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Pitagórico

o chopp é 4,50
em frente ao edifício
Real Brasileiro,
Rua São José, 46.
a chuva apertou
e eu parei pra tomar 3.
comprei 1 guarda-chuva
por 10 pra andar 200 metros.

já perdi a conta
das vezes que inventei
uma desculpa pra justificar
meus pecados capitais.
vou apostar em 7,
mas foram mais.

Alex Moura
Continuando

monotonia estrutural
reage a
ritmo desenfreado,
o desejo de viver
sempre o tempo do orgasmo,
ou a busca dele,
oculta pré-eliminares
que têm seu ápice
na duração, degustação.
se ocupa mais do processo,
do que da digestão.

maldizer percurso
só é possível
se for demoramento.
a humanidade
ainda não descobriu
que viver leva tempo.

Alex Moura

terça-feira, 24 de julho de 2018

Liberdade ainda

ouve-se ao fundo
um clamor
por liberdade.
invade um desejo
de ser de ninguém.

sussurros
sobem ladeiras,
cochicham discretos
e chegam ao alto
completos com gritos,
seja inconfidente
ou de quem,
absurdamente,
nem era
considerado gente.

essa cidade
que reza e conspira.

não há uma parede
que não fale
em Ouro preto.
silêncios, se há,
são invisíveis.

Alex Moura

sábado, 14 de julho de 2018

Vontades (Reflito)

o que é a vida
senão resultado
de movimentos
voluntários
e involuntários?

o presente
parte do repouso
para acontecer,
nada, ninguém
acontece
sem se mover.

o devir
é involuntário,
onipotente,
não depende
da gente pra ser.
ninguém manda
o coração bater.

mas há vida
dentro da vida.
uma livre de você,
ninguém manda
o corpo crescer.
mas há vida
dentro da vida,
contingente,
que depende
muito da gente
pra se tornar
o que vai ser.

Alex Moura
gerações (trombando em jeitos)

em dias
de chuva torrente
minha mãe me dizia
num passado recente
que deus lavava
o chão da sua casa
por isso que a água vaza

hoje
nessas histórias
de tempo presente
lavagem a seco
e botão autoclean,
meu filho disse pra mim
que deus baixa
a chuva da nuvem.

Alex Moura

domingo, 8 de julho de 2018

o'riordan (trombando em jeitos)
para dolores o'riordan

olores
teria chorado
todas as
suas dores?
as pequenas
e as maiores?

dolores cantou
suas dores
num tom
tão encantador
que só atinge
quem canta dor
com a beleza
e honestidade
que uma dor merece

dor é coisa que cresce
demora
e dolores perece
a pena cumprida
entre a dor e a vida
o mundo se a pequena
entre a vida e a pena

dolores foi plena
e quando
o sonho acabou
e a clave partiu
no último ato
a memoria
de dolores sorriu

para todo o mundo
os males menores
dores honestas
como as devem
são para as Dolores
que dores
são coisas que crescem.

alex moura


levofloxacino

eu,
sem a minha
embriaguez,
sou um de cada vez.
não cumpro
todos os meus eus.
potência irrealizada,
um semideus.

ocupo metades,
protágoras
a meia medida,
totalidade condenada
perambulando
na própria vida.

alex moura

sábado, 7 de julho de 2018

Instante

que viver
sem cuidado
também é esforço
pra se matar.
viver até morrer
é viver até aguentar
e não aguentar.

cuidado
tem peso moral,
comedimento.
viver de medo
é só demoramento:
ser não vivendo,
viver não sendo.

pensamento
é coisa que não para,
recorre ao passado,
projeta futuro.
demasiado cuidado
deixa o presente escuro.

hesitar
é questão de momento,
daí, viver passa a ser
só lembrança e projeção
por muito mais tempo.

Alex Moura
Teoria da História

o que passa,
passa em relação
ao que fica.
se tudo é relativo,
quando vivo
eu passo ou fico?
se a permanência
está no objeto
o movimento é subjetivo.

o que existe
entre o início e o fim,
se pra mim
nem fim nem início existem?
na verdade, as ideias
de tempo insistem,
demoramentos
forjados de realidade:
confrontar a temporalidade
com a eternidade.

pena que não teremos
tempo pra isso.
na imobilidade do tempo
tudo é fim e tudo é início.

Alex Moura
À margem de tudo e nada

o percurso
a pé no curso do rio,
no sentido da corrente
que leva ao mar.
andar até desaguar
num lugar
que não é
mais só mar,
que não é
mais só rio,
que não é
mais só choro.

o dogma vale
pro tudo e pro nada.
pra quando
é só caminhada,
pra quando
eu só corro.

Alex Moura
enfim só (Reflito)

a diversidade
atômica de Epicuro
é cruel,
não há um sequer
como eu,
nem como você.

sempre estivemos
tao sós,
não há
quem como a gente.

ninguém
dorme o nosso sono,
ninguém
sente a nossa fome,
estamos sempre
tão sós,
nós atados
de uma só linha,
só sua,
só minha.
Nossa!
sempre estivemos
tão sós.

poeira de estrela,
de pó em pó
que se faz a sujeira.
sempre estivemos
tão sós,
que não existem pós,
pó é coisa pra um
não pra nós.

ninguém
goza o nosso gozo,
ninguém
sabe por outro
o que é gostoso.
pra saber
tem que gostar,
não basta
falar que gostou.

sempre estivemos
tão sós,
ninguém
fala pela nossa voz.

Alex Moura

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Estáticos

uma espera
que nunca acaba
e que nunca começa,
demora a beça.
o meio
do início e fim,
aquilo imóvel
que não ocupa
o tempo,
mas o espaço
naquilo
que estou e sou,
mas nunca passo.

Alex Moura

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Tudo está certo (Reflito)

há dias
que nunca nascem,
como se algum
degredado metafísico
segurasse Terra e Sol,
um em cada mão.

e as noites
ganham contorno
de eternidade,
verdade,
reverbera o breu
daquilo que já aconteceu.

a noite
não passa mais,
a noite fica!
o tempo é imóvel
a gente que estica.
há gente que conta,
há gente que espera.
agora nada mais era,
tudo é! tudo está!

lá,
do horizonte
sem alvorada,
o que pode se ver
é o céu da noite
se espalhando
pra tudo que é lado.
não existem mais sentidos,
rosa dos ventos quebrada
na noite
que nunca mais acabou -
continuou, continuou, continuou -
no mundo que não vai mais acabar.

perceberam
como as coisas são?
a finitude
era só um capricho da escuridão.

Alex Moura

terça-feira, 29 de maio de 2018

tanto faz (Trombando em jeitos)


meia-noite e meia
com angústia
do que ainda não fiz
e saudade
do que ainda faria

inevitavelmente
todas as noites acabam
essa também acabou
mas não começou
nenhum dia
nada começou
devo estar preso
entre o amanhã
e o ontem
ocupo aquele silêncio
entre as palavras

estou no não-dito
lá onde nascem
as ideias
que não se consumam
porque nada começou
preso na transição
intercessão de polo nenhum
não sei se no vácuo
ou no oco
naquele não-lugar
meio louco

talvez eu seja agora
aquele destituído
de todas as experiências
sendo só eu
matéria pura
folha em branco
não-sendo
como nunca fui.

Alex Moura
fatality

se a morte
me procurar agora,
que seja rápida
e rasteira.
sábia e certeira,
para que não faça
a besteira
de me fazer sofrer.
mais do que pena
tenho preguiça de morrer.

Alex Moura

sábado, 28 de abril de 2018

falência múltipla

não há um dia
que eu não pense
no fim.
exijo muito de mim.
do fígado
coração e pulmão.
até o dia em que
um deles não!

Alex Moura

domingo, 22 de abril de 2018

Corrente

quem disse
que há seis continentes?
o Pangea não admitia
fronteiras.
do alto não se avistam
linhas imaginárias.

mas o que fica é a mudança
e o mundo se mexeu,
e junto com os três oceanos
surgiram limites e bandeiras.
tantas tantas
que nem se sabem quantas.

e mesmo dentro
das fronteiras, bandeiras
e idiomas
há quem ainda é Pangea
e por não caber em limites
se instalam fora de padrões.

fronteira é criação,
bandeira é criação,
país, cidade e rua
também são.
ciclovia é utopia.
se motor é imposição
pedalar é poesia.

Alex Moura
mutante (trombando em jeitos)

se o que fica é a mudança
estou entre o que fui
e o que serei
talvez no único instante
em que temos consciência
de nós
estou no encaixe entre
o sido e o será
entre o que fui até aqui
e o que serei pra lá

precisei de sangue nos olhos
para parar e perceber
que existe eu em mim
me percebi no fim
me renovei no início
desse que sou agora

queria carregar pra sempre
meus olhos vermelhos
fiquei interessante
como nunca pareci ter sido antes.

Alex Moura
Viral

o que trago
dentro dos olhos
pesa,
chama atenção
mais do que
guarda pra dentro
do que
já experimentou
para fora.

o que guardo
dentro dos olhos
queima,
incomoda, afeta,
busca o guardado,
aperta!
tanto,
que junto com o
pranto
minha alma
cospe pra fora
tudo aquilo que já foi!
e tal qual
um ciclope dobrado
preciso dos olhos,
marejados,
pra cuspir
todo o meu sangue.

Alex Moura
Fui

aonde
pensa que vai?

          vou
          por todo lugar.

você
tem permissão?

          tenho
          licença poética.

Alex Moura
Ato

afago que protege ciranda,
tudo é ato político, eu ouvi.
então deixem a ciranda rodar,
que gritar ela grita: hei!

permita a menina ocupar,
que pra impedir já tem o Estado
e subversão se faz na baderna,
que chega na perna da ordem
e faz bambear, se o povo chutar...
enverga,
e nega essa ordem fajuta
que protege esses filhos da puta
que minimizam a luta
de quem não quer se calar,

mas o grito vai ecoar
e ressignificar o sono e os custos,
mantendo o sono e mudando os justos.

Alex Moura

sábado, 24 de fevereiro de 2018

o entorno (haja haja)

mais se escapa
ao olhar
do que ele atinge,
uma coisa que finge
saber o que faz.
dentro dele
somente o foco,
pra fora mais.
quanto da paisagem
se perde
na obrigação
de focar a estrada?

à primeira vista
todo olhar
é uma renúncia,
a denúncia
de uma preferência,
cheio de si
e vazio de resto.

Alex Moura
todas as folhas do diário de um suicida

hoje é o dia
da minha morte.
tenho tudo
sob controle.
não poderia
ser ontem,
pois não tinha
tudo sob controle.
e se hoje
ela não se consumar
não sei mais
quando será
nem quando terei
tudo sob controle
para o dia
da minha morte.

viverei para sempre
como um reles mortal
que não sabe mais
o dia da sua morte,
chorando a morte
dos outros,
mais por inveja
do que tristeza.

alex moura
cinzas (trombando em jeitos)

queria poder andar
assim pra sempre
ser por fora
quem mesmo sou
por dentro
mas não serei
pra sempre esse
que sou eu mesmo
e quando me vires
carregando rotinas
de cara limpa
lembre que quem sou
tem alma e cara pintada
e que por trás
desse silêncio sóbrio
explodem mil carnavais.

Alex Moura

sábado, 13 de janeiro de 2018

despedaçado

pronto pro abate,
nunca me vi
eternizar momento.
sempre a um passo do fim
penso mais em mim
para quando não for
do que o que posso ser.

milito a ideia do não-ser
e me limito a ser
somente aquilo
que a angustia permite:
o limite do quase fim.

eu quase consegui ser eu,
só faltou um pouco de mim.

alex moura
Grave

terraplanistas não enxergam
a gravidade do que pensam?
é só olharem para o crânio
de cada um
para perceberem
que os mundos são redondos.

Alex Moura
Terminações nervosas

gente estudando gente,
codificando ações,
isolando moléculas
e dividindo átomos.
sim! uma vez não foi,
mas agora é possível
dividir os átomos.

tudo isso é possível,
tudo isso ajuda
a humanidade
a se conhecer de verdade,
mas nada
pode ser a verdade.

não há lógica
para o que não é lógico.
nada é lógico,
logo
não há lógica.
o que determina o devir
são as variáveis.

deveria haver um Nobel
para o criador
do conceito depende.

Alex Moura
queda livre

hoje eu queria
me jogar de uma janela,
não uma forca,
nem overdose de medicamento,
hoje, pra me sentir vivo,
eu queria me jogar
de uma janela,
pra que toda a tensão
que ferve o meu sangue
e comprime a minha mente
fosse combatida, ou satisfeita,
na extrema violência do impacto.

alex moura