segunda-feira, 27 de abril de 2015

Severo (Publicado - Entre o quando e o quase)

Nunca fui de constituir família,
não economizo e não conserto fiação.
Tenho a responsabilidade
de um romântico tísico.
Romantísico é definição?
Parto, de novo, de um porto novo,
e a partida, essa velha conhecida,
me traz à entrada e me espera à saída.

Bar doce lar, estou voltando pra casa,
não voei longe, quebrei a asa.

Alex Moura.

sábado, 25 de abril de 2015

Devir (Publicado - Entre o quando e o quase)

Ontem fiquei de ir,
não fui,
e o defoi de onde
não estava,
com o deveio que,
onde eu estava, veio,
são, respectivamente,
o que venho pensando:
devir do meu quase,
devir do meu quando.

Alex Moura

quarta-feira, 15 de abril de 2015

nietzsche descarta (Reflito)

Não quem sou eu
ou quem há em mim
que não há em outro,
e que faz de mim eu
e não outro;
e vice-versa por sua vez,

mas quem há em nós,
que faz de mim e outro
eu e ele, sendo-nos em nós;
enquanto ser, será outro depois.

Não que eu, ou quem quer que eu seja,
queira descartar Descartes,
mas alguém pensa em mim,
logo alguém existe em mim.

Alex Moura

sábado, 11 de abril de 2015

Da hora de acordar
à hora de dormir
o quando quandeia,
e de quando em quando
a vida é inteira.

E a vida completa é, até o fim,
viver todos os quandos,
seguindo, inevitavelmente,
ao limite do quase.

Alex Moura