entre
o toc e a covid (as várias noites de um mesmo dia)
difícil
manter
as
toalhas intactas,
preservar
espelhos
de
interruptor,
difícil
interromper
a dor
num
intervalo
que
permaneçam
pensamentos
bons.
difícil
atribuir
valor
aos pensamentos
quando
o limite
do
universo são
as paredes
dos apartamentos.
difícil
transitar
entre
o toc e a covid,
implorar
alprazolam
e aturar a cloroquina
carente
de sol e serotonina.
difícil
preparar
um
café da manhã
sem
saber se hoje
é
ontem ou amanhã,
ou
se é os dois,
ou
se é nenhum.
dormimos
as várias noites
de um mesmo dia.
há tempos
não confio
nos
compostos
de
água sanitária
pra
livrar legumes e frutas
do
perigo da morte,
mas as
bananas
não
se descascam sozinhas.
com
sorte
sobreviveremos
mais um dia.
Alex Moura