sábado, 22 de dezembro de 2012

Pra tão curta vida
privação desmedida,
na medida de um equilíbrio
pra preservar a vida.
Equilíbrio?
Meu brio é ébrio
e não fui eu que o fiz assim.
Quando sóbrio
sou responsável
por não provocar o
desperdício do meu vício.

Alex Moura

domingo, 9 de dezembro de 2012

FUI!

indo
pra maracangalha
fiz escala em pasárgada

lá, anália e o rei
se apaixonaram
e eu fui só.

Alex Moura

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Estação (Cozinhando o golpe)

A insurgência
só é possível
após derrota,
e para reparar do povo
seu terrível engano
levante a cabeça
e desfralde sua bandeira
porque primavera tem todo ano.

Alex Moura

domingo, 30 de setembro de 2012

Beco (Publicado - Ser das cidades)


Por vezes
a convicção assalta
e prospera a vontade
de ter um quarto,
com mesa-cadeira,
e luz fraca.
Um tanto de folha
que comporte sentimentos
bons, ruins, felizes
e desgraçados.

Garrafas decorando
em escala alternada
o ambiente escuro:
uma cheia, uma vazia,
uma cheia, outra vazia
e uma porrada vazia
no canto prometido
a um criado-mudo.
Foda-se!
Sem criados no mundo,
ainda que seja um mudo.

Isso resolveria
o crônico problema
da paciência,
ou da falta dela.
Da pose e das sociais
que se fazem necessárias
e que eu já não consigo ter mais.


Quem dera eu fosse
um novo porta-voz
dos boêmios bêbados,
vagabundos e andarilhos,
que dará voz a todo recriminado,
aparente e etilicamente,
e que buscará na sarjeta
das boemias a inspiração sofrida
e suja para abastecer
esse novo projeto de vida.

Perspectiva que falta
se resolve com papel e caneta,
um mediano silêncio,
uma garrafa aberta e uma pretensa
imaginação poética.

Alex Moura

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O niilismo bucólico
que a noite traz
em seu torpor alcoólico
esvazia ainda mais
o vazio, e no fim da
noite o torpor é frio.

Alex Moura
SER DAS CIDADES

é viver sem rodeio
pela ponta e pelo meio,
gaita de fole com pandeiro,
maracatu com Beethoven
tocado no centro do Rio de Janeiro.
POBRE ALMA (Trombando em jeitos)

esse negócio
de vender
a alma ao diabo
nem sempre é ruim.

certa vez,
o bicho
botou preço
na minha, pobrinha.

o negócio era bom,
eu tocava as notas
e ele dava o tom.

Alex Moura

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Todas as pessoas
escrevem o mundo,
mas só algumas o lêem.

Alex Moura.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Por uma noite  (Ser das cidades)

Há noites
em que tudo
que quero é:
rock,
cervejas
e poesia.
Mas as noites
das cidades
são curtas
e no meio
das cervejas
já é dia.

Alex Moura.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

ADICTOS (trombando em jeitos)

um dia
eu lia bukowski
e pensei
sou como bukowski

outro dia
eu lia leminski
e pensei
sou como leminski

e outro dia
eu bebia cerveja
às quatro e quarenta
e nove da madrugada
de quarta-feira
com o mundo mundando
e a vida vidando

e eu bebendo a bebida
pensei que na vida
bukowski não conhecia leminski

havia uma chance de eu ser o alexki.

Alex Moura 07/06/2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Das garantias (Cozinhando o golpe)

E no fim de tudo
todos dependem
da inquietação
que os inquietos sentem.

Alex Moura.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

e que seja
alguma ordem para o Povo,
e não algum povo para a Ordem.

Alex Moura 20/04/2012.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Da ampulheta

Não havia nada na caixa de correio, esse fora o gatilho que disparara um processo depressivo. Subira os três lances de escada até seu andar. Poderia ter ido de elevador, mas isso sugeria alguns segundos parado, à espera, aguardando, e era justamente a sensação que ele queria exorcizar.
Nunca demorara tanto no banho. Fone no ouvido, deitado, submerso até o pescoço na hidro, colhia os acordes dos Pixies beijando uma long de Heineken. E foi justamente Here Comes Your Man que impedira de ter ouvido o celular em cima da pia, gritando, vibrando, acenando pra ele, que de olhos fechados, imaginando-se o protagonista do clipe, ignorava a chamada. Um sonoro "MERDA" quando leu "1 CHAMADA PERDIDA". Nu, molhado e se equilibrando no piso liso errou o botão do aparelho. "MAS QUE MERDA"; a merda só aumentava. Era o amigo, porque na sexta o pessoal do trabalho toma um birico pra desacelerar no boteco do lado, carinhosamente apelidado de Mosca Frita. Era o que dizia o torpedo, como uma tentativa de resgatar o deprê e mandá-lo pra rua.
Ligou o PC apressadamente. Uma perna da calça vestida, outra não. Seis camisas em cima da cama. Apesar do banho já suava de novo. Liga ventilador de teto, desliga ferro de passar. Passar pra quê? O corpo passa.
Ultimamente vinha enfrentando problemas com a caixa. A de correio e a de entrada, sempre vazias. No monitor piscava em letras garrafais e cores cintilantes: "ZERO MENSAGENS NA CAIXA DE ENTRADA".
Com caixas, de entrada e correio, vazias se agarrou no torpedo. Porra! Ele tinha um torpedo! Estava ali! E não o apagaria pelos próximos dois anos.
O Mosca Frita lotado, cerveja gelada, burburinho gostoso e a gostosa. Sim! A gostosa da namorada do amigo, com o amigo do lado, incessantemente explicando pra amiga, pelo celular, como chegar. Vai chegar! Vai sim! É só esperar um pouquinho. Só esperar.
Chegou em casa relativamente bêbado. A amiga da gostosa do amigo não chegou. Não sabia chegar, mas esperava que ele entendesse. Ele esperou. Ele entendeu.
Na melhor decisão da noite foi dormir, enganando-se que seu mal era sono. Mas ia dormir ouvindo outras dos Pixies, era só esperar concluir o download.

Alex Moura

terça-feira, 6 de março de 2012

Crueldade:
Tel Aviv vive,
e a Palestina estima
liberdade.