sábado, 30 de maio de 2015

Potência e ato (Publicado - Entre o quando e o quase)

Na eterna investigação
da conduta humana,
certa vez indaguei:
"o que é amar?".

Se da potência ao ato
tantos amores se desperdiçam,
cabe à razão se fazer aliada
para evitar desperdício.

E apesar dos quandos, quases e nuncas,
ainda estamos aqui, meu amor,
que amar é isso.

Alex Moura
Déficit de emoção (Publicado - Ser das cidades)

E os transtornos do
novo século?
A reforma não foi agrária,
e foi o cérebro que se mapeou.

Exército previsível
do soldado invisível.

Não condeno o uso, mas a
indústria da Ritalina, que se
beneficia alguns,
cria profetas da rotina.

Alex Moura
Toda vez que boto na
cabeça que vou me divertir
sozinho,
consigo tudo o que preciso:
a bebida que bebo,
a comida que como,
a música que ouço,
e o sonho que acredito.
Toda vez! Não me divirto.

Alex Moura
Certa vez o poetinha
atribuiu tristeza à
beleza da poesia.
Nem me passa à mente
contradizer.
O que posso dizer é que,
ao meu ver, a beleza da
poesia não julga sua
competência.
Na minha, por exemplo,
a tristeza já garante
existência.

Alex Moura
Mandrake (Publicado - Ser das cidades)

Outro dia que reparei:
há tanta estátua no mundo.
Alguém reparou?
Umas sei quem são. Umas não.
Outras finjo que não sei.
Tanta estátua injusta,
que na boa?
Parei.

Alex Moura

sábado, 23 de maio de 2015

Juro que o bem-estar é uma pauta,
o que falta é começar.
Entre carências de serotonina
e mergulho consciente na depressão,
o giro da rotação do mundo
parece que para no que mata.
Mas tentarei ensaiar um otimismo
e aproveitar o cunho poético
dessa cerveja barata.

Alex Moura
das "vias de regra",
eu fico com a via, que me faça chegar
aonde eu quiser

Alex Moura

domingo, 17 de maio de 2015

Vontade de só existir (Publicado - Entre o quando e o quase)

Às vezes dá um cansaço da vida,
preguiça da consciência,
vontade de só existir,
mas quanto mais me volto a mim,
mais me atrapalho.

Ficar parado sentindo o tempo,
esses versos, por exemplo,
deram trabalho.

Alex Moura 17/05/2015.
Tenho vivido, ultimamente,
de fora para dentro,
absorvendo morte que me
desgasta o viço.

Não que eu queira isso!

Quero dias como hoje,
sorriso,
que me obriguem a viver
a vida que eu desperdiço.

Alex Moura 10/05/2015

sábado, 9 de maio de 2015

Quarentena (Publicado - Entre o quando e o quase)

Parte do que fui
vive em parte do que sou,
que viverá em parte do que serei.

Até quando eu não sei.

Parte do que não fui
viveria em parte do que não sou,
que viveria em parte do que não serei.

Sou eu, no que seria, ou no que serei?

Alex Moura

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A vida, essa experiência distraída,
avisa da chegada, mas não previne
a partida.
E o que fica de vida, à medida que
a experiência vai passando, são as
eternidades em que se transformam
nossos quandos.

Alex Moura
dos percalços (Trombando em jeitos)

Olha, meu amor,
que hoje a gente não chora,
nem tão cedo, nem tão tarde,
não tem hora.
E a vida, essa experiência
distraída, ao mesmo tempo
que afaga, revolta.
Mas tudo bem,
a asa que leva embora
é a mesma que traz de volta.

Alex Moura