sábado, 29 de agosto de 2015

Autodistinção (Publicado - Entre o quando e o quase)

Liga de fio, transparente,
que une a um toda a gente.
Espectro de organismo vivo,
ação que parte da parte
como seta lançada ao coletivo.

Asa de borboleta,
tufão no Oriente,
bate em algum lugar,
em outro se sente.
O desespero da minha solidão
é a consciência de que ela só é em mim,
porque nos outros não.

Alex Moura


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Antes do meu meio-dia
tudo me assombrava,
receio do que seria sobrava.

Agora, que mais tenho a temer,
menos temor me assombra.
Coragem que me eterniza
no reflexo da minha sombra.


Alex Moura

sábado, 15 de agosto de 2015

Da escolha (Publicado - Entre o quando e o quase)

O remendo na carne viva
fere mais do que a navalha fria.
Se não fosse inútil,
antes o remendo na carne morta,
mas já não importa.

Transito entre a dor do remendo
e a morte da carne.
Se remendar é recorrente,
fico com a morte,
que só se morre uma vez.

Alex Moura

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Órbita (Publicado - Entre o quando e o quase)


Inquietação,
satélite natural da minha consciência.
Tendo a ser menos do que me classifico
querendo ser mais do que possam classificar.

Mas afinal, o ser pode ser determinado?
Forma, matéria, ação?
Que eu saiba não!
Sou algo entre o poder ser nada
e o querer ser tudo.

Alex Moura