segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Do capital que parou meu coração,
mais valia a mão-de-obra
de quem fez o meu caixão.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Cansado de sentir angústia,
decidi me consumir aos poucos
para acabar com o que há
de mim mais cedo:
a cada nova angústia
me cortaria um dedo.

Como há no mundo mais angústia
do que dedos, precisei me deitar
no trilho,
porque tanta angústia não me
deixou dedo pra puxar o gatilho.

Alex Moura.
A espera do quase,
a um passo de...
Com esperança de que
o relógio esteja errado,
para que esse ponteiro atrasado
não esteja sempre um segundo
adiantado no meu mundo.

Alex Moura.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Da espera (Publicado - Entre o quando e o quase)

Até quando "De onde?"
Até quando "Pra onde?"
Até quando "Quem?"

Haverá um dia que vai além,
em que veremos tudo o que não há pra ver,
ou que não veremos o que há pra ver.

Seja o que não for,
ou o que quer que seja,
a dúvida é a véspera da certeza.

Alex Moura.
Seta!
Toda poesia concreta,
espeta!

Alex Moura.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Das pontes entre Rio e Niterói.

Continuo a amar o que vejo,
além da baía, que minha saudade
não esgotou.
Começando a amar
de onde vejo, aquém dessa baía
de onde estou.

Alex Moura.
De delírios tremo,
suporto o veneno que
me mata de não me matar.
Nunca fim! Nunca já! Nunca Foi!
Já não é, do tanto que não foi!
Do tanto que vai ser!
Do tanto que seria!
Futuro do Pretérito preterido
por um presente desagrego.

Alex Moura.
Embebido do samba,
bamba, cuspido da noite,
com a sorte de um condenado
à morte, revogo meu direito
à vida.

E que seja assim,
nessas idas e vindas,
nessas perdas de amores
no rufar dos tambores, que
vou deixando o documento
de tudo que passei, ganhei,
senti e não vivi.

Alex Moura.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

trabalha dor (trombando em jeitos)

o lavrador com a pá lavra
tanto quanto
o poeta com a palavra dor.

alex moura.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Arte na rua (Publicado - Ser das cidades)

Costumava ser terça,
sol baixo, baixava à esquina,
na quina da rua o artista estava,
e de alma nua artistava.

Juntava gente no espaço público,
e o público fiel publicava,
cúmplice ao cantor,
que no canto da rua cantava, cantava.

Alex Moura.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Cardápio (Ser das cidades)

Da hora que você senta,
pede uma cerveja,
e pensa na vida,

pra hora que você senta,
pensa em uma cerveja,
e pede uma vida.

Alex Moura.
Antes não entendia,
que tem dia que é
difícil compreender.

Tinha a tendência
a entender, mas só tendia,
no fim do dia, estava quase,
a um passo de.

Alex Moura.