quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

limites (trombando em jeitos)

linha doce
dialética entre o real
e o imaginário
linha amarga
simbiose entre a imaginação
e a realidade

que para esconder
seus nomes de verdade
se apelida: vida!

Alex Moura
lapso (poemas ruins)

um pequeno menino
lá daqueles idos distantes
leu tudo o que na vida pode
de leminski a bukowski;
de nietzsche a maiakovski;

dostoiévski? leu
joão cabral? leu
ana cristina cesar? leu

tanto leu
tanto leu
tanto leu
que quando foi escrever
morreu.


Alex Moura

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Das memórias (Publicado - Entre o quando e o quase)

Perdido no inconsciente
pisando em lembranças
que não lembro vivê-las.

Ao vê-las
conheço-me quem nunca fui:
passado, trem, chuva,
tudo desarrumado
em um grande baú de instantes.

Como posso lembrar de antes,
se nem agora me reconheço quem sou?

Recorro às memórias
para lembrar-me o que é viver
e acabo esquecendo que consciência
é muito mais do que ver.

Alex Moura

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Um mal-estar galopante,
a evolução dos sintomas
é mais intensa a cada dia.
Procuro, entre paliativos,
aliviar minha dor
desse mal que não sei qual é.
Para quê?
Seria melhor não saber?

Foi quando, resignado,
me entreguei ao destino,
esqueci o mal e relaxei, enfim.
A partir de então, mais relaxado,
me percebi curado e não senti
mais mal nenhum em mim.

Alex Moura

sábado, 16 de janeiro de 2016

Do processo (Publicado - Entre o quando e o quase)

Produto
de observação,
bruta,
sem limites
que possam domá-la.
Amá-la
depois de depurada
é tão fácil,
que parece errado.
Perfeição
se constrói,
por isso sou dado
à desconstrução,
ao processo,
ao inacabado
sem necessidade
da busca pela coisa
bem feita.

Talvez o fim
não seja o já,
mas o quando,
e nos limites
da arte a amo
ainda imperfeita.

Alex Moura
Não faz sentido
correr contra o tempo
pra realizar imortalidade.
Corre-se contra
a ideia forjada de tempo,
o que não se faz, por exemplo,
também é idade.

Alex Moura
A mira (Cozinhando o golpe)

Se tua ação é definida
pela situação vigie-se
com a possibilidade
de oposição a si mesmo.

A esmo são disparadas
as mais perigosas setas.
Partam de nós,
partam de outros,
diretas e precisas,
só não perfuram poucos.

Quem estaria salvo?
A maioria de nós é alvo.

Alex Moura

sábado, 9 de janeiro de 2016

ser quem for (trombando em jeitos)

sem sucesso nos projetos
que me fariam melhor
desvio-me deles

consciente e inconscientemente

o que no último caso
me priva da dor

e me dedico aos projetos
que simplesmente me fazem
seja como for.

Alex Moura

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

estranho (trombando em jeitos)

nunca quis
quem me entendesse
nunca quis
que me entendessem

mas já que perguntou

sempre fui
sem saber muito
bem quem era
como pode agora
alguém saber quem sou?

Alex Moura

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Fiz pouco
tudo o que tinha
pra fazer na vida.

Essa é a impressão que tenho.
O que não tenho é mais tempo
pra fazer tudo o que tinha pra
fazer na vida.

Enquanto isso vou fazendo
o que, na vida, ainda dá tempo,
e passos os dias, meses e anos
tentando fazer eternos o que são planos.

Alex Moura
Carregando (Publicado - Entre o quando e o quase)


Cheiro de chuva se transforma em promessa:
hoje chove; hoje não;
e esse demoramento só se demora quando se espera.
Quando se esquece,
só vai se dar conta quando sente a chuva que era.

Mas não é assim que é a vida?
Se imagina uma eterna espera
quando na verdade é uma atenção distraída.

Em busca do quase se vive o quando
em meio à espera, atenção e à pressa,
e viver passa a ser confiar
naquele cheiro de chuva como promessa.

Alex Moura
Procurar uma perfeita metáfora
que seja doce e resista uma esperança
de que o fim ainda não chegou.
Respira a resistência, resiste a respiração,
ali ter ação é muito mais orgânico
do que se quer uma figura de linguagem.

Reagem as funções de todas as ideias
de corações: o da saúde, o da saudade;
verdade que podemos ter vindo tarde,
mas viemos e estamos aqui,
e só sairemos quando você sair.

Alex Moura