Liberdade ainda
ouve-se ao fundo
um clamor
por liberdade.
invade um desejo
de ser de ninguém.
sussurros
sobem ladeiras,
cochicham discretos
e chegam ao alto
completos com gritos,
seja inconfidente
ou de quem,
absurdamente,
nem era
considerado gente.
essa cidade
que reza e conspira.
não há uma parede
que não fale
em Ouro preto.
silêncios, se há,
são invisíveis.
Alex Moura
terça-feira, 24 de julho de 2018
sábado, 14 de julho de 2018
Vontades (Reflito)
o que é a vida
senão resultado
de movimentos
voluntários
e involuntários?
o presente
parte do repouso
para acontecer,
nada, ninguém
acontece
sem se mover.
o devir
é involuntário,
onipotente,
não depende
da gente pra ser.
ninguém manda
o coração bater.
mas há vida
dentro da vida.
uma livre de você,
ninguém manda
o corpo crescer.
mas há vida
dentro da vida,
contingente,
que depende
muito da gente
pra se tornar
o que vai ser.
Alex Moura
o que é a vida
senão resultado
de movimentos
voluntários
e involuntários?
o presente
parte do repouso
para acontecer,
nada, ninguém
acontece
sem se mover.
o devir
é involuntário,
onipotente,
não depende
da gente pra ser.
ninguém manda
o coração bater.
mas há vida
dentro da vida.
uma livre de você,
ninguém manda
o corpo crescer.
mas há vida
dentro da vida,
contingente,
que depende
muito da gente
pra se tornar
o que vai ser.
Alex Moura
domingo, 8 de julho de 2018
o'riordan (trombando em jeitos)
para dolores o'riordan
olores
teria chorado
todas as
suas dores?
as pequenas
e as maiores?
dolores cantou
suas dores
num tom
tão encantador
que só atinge
quem canta dor
com a beleza
e honestidade
que uma dor merece
dor é coisa que cresce
demora
e dolores perece
a pena cumprida
entre a dor e a vida
o mundo se a pequena
entre a vida e a pena
dolores foi plena
e quando
o sonho acabou
e a clave partiu
no último ato
a memoria
de dolores sorriu
para todo o mundo
os males menores
dores honestas
como as devem
são para as Dolores
que dores
são coisas que crescem.
alex moura
para dolores o'riordan
olores
teria chorado
todas as
suas dores?
as pequenas
e as maiores?
dolores cantou
suas dores
num tom
tão encantador
que só atinge
quem canta dor
com a beleza
e honestidade
que uma dor merece
dor é coisa que cresce
demora
e dolores perece
a pena cumprida
entre a dor e a vida
o mundo se a pequena
entre a vida e a pena
dolores foi plena
e quando
o sonho acabou
e a clave partiu
no último ato
a memoria
de dolores sorriu
para todo o mundo
os males menores
dores honestas
como as devem
são para as Dolores
que dores
são coisas que crescem.
alex moura
sábado, 7 de julho de 2018
Instante
que viver
sem cuidado
também é esforço
pra se matar.
viver até morrer
é viver até aguentar
e não aguentar.
cuidado
tem peso moral,
comedimento.
viver de medo
é só demoramento:
ser não vivendo,
viver não sendo.
pensamento
é coisa que não para,
recorre ao passado,
projeta futuro.
demasiado cuidado
deixa o presente escuro.
hesitar
é questão de momento,
daí, viver passa a ser
só lembrança e projeção
por muito mais tempo.
Alex Moura
que viver
sem cuidado
também é esforço
pra se matar.
viver até morrer
é viver até aguentar
e não aguentar.
cuidado
tem peso moral,
comedimento.
viver de medo
é só demoramento:
ser não vivendo,
viver não sendo.
pensamento
é coisa que não para,
recorre ao passado,
projeta futuro.
demasiado cuidado
deixa o presente escuro.
hesitar
é questão de momento,
daí, viver passa a ser
só lembrança e projeção
por muito mais tempo.
Alex Moura
Teoria da História
o que passa,
passa em relação
ao que fica.
se tudo é relativo,
quando vivo
eu passo ou fico?
se a permanência
está no objeto
o movimento é subjetivo.
o que existe
entre o início e o fim,
se pra mim
nem fim nem início existem?
na verdade, as ideias
de tempo insistem,
demoramentos
forjados de realidade:
confrontar a temporalidade
com a eternidade.
pena que não teremos
tempo pra isso.
na imobilidade do tempo
tudo é fim e tudo é início.
Alex Moura
enfim só (Reflito)
a diversidade
atômica de Epicuro
é cruel,
não há um sequer
como eu,
nem como você.
sempre estivemos
tao sós,
não há
quem como a gente.
ninguém
dorme o nosso sono,
ninguém
sente a nossa fome,
estamos sempre
tão sós,
nós atados
de uma só linha,
só sua,
só minha.
Nossa!
sempre estivemos
tão sós.
poeira de estrela,
de pó em pó
que se faz a sujeira.
sempre estivemos
tão sós,
que não existem pós,
pó é coisa pra um
não pra nós.
ninguém
goza o nosso gozo,
ninguém
sabe por outro
o que é gostoso.
pra saber
tem que gostar,
não basta
falar que gostou.
sempre estivemos
tão sós,
ninguém
fala pela nossa voz.
Alex Moura
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