Não ser
há algum tempo
venho pensando
em desistir,
mas sem saber
pra onde ir
procrastino ações.
daí vou ficando,
sendo, existindo,
em um eterno gerúndio
na dialética entre o ser
e o não ser
somente demorando
- olha o gerúndio -
entre o quase e o quando
no melhor estilo
acontecendo nada.
não bastará desistir,
consciência é imune
à desistência, continua lá,
denunciando um sucesso fajuto.
é necessário desexistir,
encurtar as roupas,
esticar as rugas,
apagar memórias
e ir desvivendo as histórias
que fizeram de mim eu.
ir esquecendo,
não porque ficou pra trás
mas porque não há mais frente,
tipo um Marty McFly da gente.
desexistindo até não ser,
diminuindo no voltar-se pra trás,
até não ter mais como ver o que é,
sobrando manga no braço
e meia no pé.
caindo da própria altura
incapaz de manter-se ereto,
até sumir, não ser mais
e desexistir por compl
Alex Moura
sexta-feira, 21 de julho de 2017
terça-feira, 18 de julho de 2017
Estação
a cidade com frio
fica mais lenta,
a resistência do mundo
é maior quando venta
e há de se aplicar
mais força pra andar,
pra subir, pra descer,
pra viver o peso
gelado do ar.
o espaço frio
contra o tempo urgente
subverte aquilo
que tempo e espaço
são geralmente:
grande, frio,
pequeno e quente.
a cidade com frio
fica pra dentro,
com ruas para passar,
percurso, acesso,
espaço sem estadia.
portas de entrar,
bater e fechar,
trinco passado
deixando o espaço lá fora
e o tempo trancado.
cortinas vencendo janelas
que lembram
arbustos escuros
escondendo olhos acesos.
quandos de inverno
que a gente sente passar
sem se dar conta
da necessidade dos dias
com gosto de ainda.
Alex Moura
a cidade com frio
fica mais lenta,
a resistência do mundo
é maior quando venta
e há de se aplicar
mais força pra andar,
pra subir, pra descer,
pra viver o peso
gelado do ar.
o espaço frio
contra o tempo urgente
subverte aquilo
que tempo e espaço
são geralmente:
grande, frio,
pequeno e quente.
a cidade com frio
fica pra dentro,
com ruas para passar,
percurso, acesso,
espaço sem estadia.
portas de entrar,
bater e fechar,
trinco passado
deixando o espaço lá fora
e o tempo trancado.
cortinas vencendo janelas
que lembram
arbustos escuros
escondendo olhos acesos.
quandos de inverno
que a gente sente passar
sem se dar conta
da necessidade dos dias
com gosto de ainda.
Alex Moura
domingo, 16 de julho de 2017
quinta-feira, 13 de julho de 2017
provocador (Trombando em jeitos)
não me lembro
do último dia
em que não senti
alguma dor
porque dor faz existir
dor é lembrança
por isso que a gente
quase não sente
quando criança
a gente
inconsciente
nem lembra
do corpo da gente
mas consciência
provoca dor
por isso que dói existir
ser no tempo é difícil
mas inconsciência
faz não existir
por isso demora
ter que ser toda hora
não me lembro
do último dia
em que não senti
alguma dor
porque dor faz existir
dor é lembrança
por isso que a gente
quase não sente
quando criança
a gente
inconsciente
nem lembra
do corpo da gente
mas consciência
provoca dor
por isso que dói existir
ser no tempo é difícil
mas inconsciência
faz não existir
por isso demora
ter que ser toda hora
que saudade de não sentir.
Alex Moura
Alex Moura
domingo, 9 de julho de 2017
diariamente (Trombando em jeitos)
foi outro dia
que acordei desejando
que o dia fosse demorando
pra caber na sua conta
tudo o que é obrigação
e tudo que não
que nele coubesse
tudo o que desse vontade
e o que não desce
que fosse suficiente
principalmente
pra fazer o que não faria
tudo aquilo
que não cabe num dia
o tempo é imóvel
o que corre
são as nossas urgências
grand prix de afazeres
ultrapassando prazeres
lá no ponto futuro
e dormimos frustrados
não porque está tarde
o tempo é imóvel
mas porque tá escuro.
Alex Moura
foi outro dia
que acordei desejando
que o dia fosse demorando
pra caber na sua conta
tudo o que é obrigação
e tudo que não
que nele coubesse
tudo o que desse vontade
e o que não desce
que fosse suficiente
principalmente
pra fazer o que não faria
tudo aquilo
que não cabe num dia
o tempo é imóvel
o que corre
são as nossas urgências
grand prix de afazeres
ultrapassando prazeres
lá no ponto futuro
e dormimos frustrados
não porque está tarde
o tempo é imóvel
mas porque tá escuro.
Alex Moura
sábado, 1 de julho de 2017
Sobre o natural
É bonito falar metafísica,
porque ela não se apresenta
imediatamente,
nem real e nem semanticamente,
há de se explicar
que é aquilo que o sentido
não sente.
Será então
que algum sentido mente
e não apresenta tudo
o que existe pra gente?
Se viver é sentir,
acho que vivo
metafisicamente.
Alex Moura
É bonito falar metafísica,
porque ela não se apresenta
imediatamente,
nem real e nem semanticamente,
há de se explicar
que é aquilo que o sentido
não sente.
Será então
que algum sentido mente
e não apresenta tudo
o que existe pra gente?
Se viver é sentir,
acho que vivo
metafisicamente.
Alex Moura
A outra face
Não tenho
entusiasmo pra perdões,
os sinto, mas não os peço,
confesso constrangimento
e vivo não perdoado
até quando aguento.
Quando não aguento
não acontece nada,
e a vida passa a ser nada
e demoramento.
O primeiro perdão
que não pedi
foi na década de setenta,
desde então vou
me demorando pela vida,
nem sei como ela aguenta.
Viver não é fácil, mas pedir perdão...
Tenta.
Alex Moura
Não tenho
entusiasmo pra perdões,
os sinto, mas não os peço,
confesso constrangimento
e vivo não perdoado
até quando aguento.
Quando não aguento
não acontece nada,
e a vida passa a ser nada
e demoramento.
O primeiro perdão
que não pedi
foi na década de setenta,
desde então vou
me demorando pela vida,
nem sei como ela aguenta.
Viver não é fácil, mas pedir perdão...
Tenta.
Alex Moura
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