segunda-feira, 8 de maio de 2017

Patriarcado

Daquele dia
que você entrou
dando um pé na porta,
cuspindo barulho
e meia saia rasgada!

Perguntei: O que houve?
Você: "- Cala a boca!"!
Eu disse: Não calo!

Você me cuspiu,
quebrou um Casillero
e bebeu no gargalo!

Alex Moura
acabaram as fichas (Trombando em jeitos)

há de novo
aquele velho vulto
que só o espelho
reflete
de tempos em tempos
ele repete o voltar-se
pra dentro
minerar o que no centro
começa a desaparecer
busca o que está
deixando de ser

não sei se é o fim
ou um novo começo
mas de tanto que já
comecei
desaparecer parece
ser mais confortável
boicotar o devir
me fazer inviável
descansar o cansaço
das pernas

não me demoro muito
em quem sou
por hora
talvez só ser em si
é o que mais me convém
enquanto ainda não consegui
ser ninguém.

Alex Moura
coordenadas (Trombando em jeitos)

a luz ensimesmada
irradia tanto
que não permite
que eu veja num canto
de mim mesmo
aquele que erraria a esmo

se a luz é a regra
onde todos desfilam acertos
só num canto escuro
errar é a coisa certa
um foda-se
que aumenta autoestima
e liberta!

Alex Moura
Reprimido (Ser das cidades)

Pensei em reagir,
radicalmente,
subir num hidrante
e declamar poesia
até ser atingido
letalmente,
e morrer como um mártir,
com pimenta na venta
e um poema inútil nas mãos.

Alex Moura