Corpos quebram (Trombando em jeitos)
faltam detalhes nessa casa
que a esvazia de mim
não há edgar allan poe exposto
demorando seu rosto
nas paredes amarelas e frias
faltam detalhes nesse corpo
que o esvazia de mim
não há bergman tatuado no corte
com a dança da morte
num antebraço cansado
jogo de xadrez que joguei errado
não há todas as bandas
faltam poetas
um mario quintana
que perdi por aí
na contracapa
tinha um haikai que escrevi
falta tanto de mim pra cumprir
vou andando incompleto
faltando pedaço e me convencendo
que realização é ilusão que vendem
pra gente em uma embalagem
que deus fechou
escrito primeiro de abril.
Alex Moura
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Demoramento
O que havia antes do tempo
era o próprio tempo,
posto que é antes.
Pra trás
o eterno também
se demora em instantes.
O tempo enquanto criador,
nunca enquanto criatura.
Nada é antes,
porque antes é ele,
é nele que a realidade dura.
Criaturas passam.
Lembra semana passada
quando conversamos
sobre chorar de saudade?
Mas o tempo não.
O tempo sempre existiu.
Sempre existiu.
S e m p r e.
Alex Moura
O que havia antes do tempo
era o próprio tempo,
posto que é antes.
Pra trás
o eterno também
se demora em instantes.
O tempo enquanto criador,
nunca enquanto criatura.
Nada é antes,
porque antes é ele,
é nele que a realidade dura.
Criaturas passam.
Lembra semana passada
quando conversamos
sobre chorar de saudade?
Mas o tempo não.
O tempo sempre existiu.
Sempre existiu.
S e m p r e.
Alex Moura
domingo, 20 de novembro de 2016
No seu tempo
Quanto há pra viver
nos dias que levantamos
sem querer saber as horas?
Como podemos ser
sem controlar o tempo
que nos inventaram?
Dormir quando for
e não porque o céu desceu.
E se tiver que acordar
quando somente lojas
de conveniência respiram,
viva a partir dali.
O ponteiro do relógio arbitrário
passa sempre duas vezes
no mesmo lugar durante o
que nos ensinaram ser dia.
E tudo bem
se dormir quando acordava.
E tudo bem se acordar quando dormia.
Alex Moura
Quanto há pra viver
nos dias que levantamos
sem querer saber as horas?
Como podemos ser
sem controlar o tempo
que nos inventaram?
Dormir quando for
e não porque o céu desceu.
E se tiver que acordar
quando somente lojas
de conveniência respiram,
viva a partir dali.
O ponteiro do relógio arbitrário
passa sempre duas vezes
no mesmo lugar durante o
que nos ensinaram ser dia.
E tudo bem
se dormir quando acordava.
E tudo bem se acordar quando dormia.
Alex Moura
sábado, 19 de novembro de 2016
Domesticamos o tempo (Trombando em jeitos)
os dias têm personalidade
hoje terça-feira tem pegada
de segunda marcha
já houve o arranque
em velocidade baixa
o percurso temporal dispara
enquanto cortamos a estrada
diz para enquanto cortamos
os pulsos na segunda metade
de uma quinta-feira
besteira! fomos nós quem
batizamos os dias e fatiamos
o tempo
a noite não é antes
e nem depois, só é escura
as voltas que o ponteiro dá
são forjadas
girar no sentido horário
sempre me pareceu arbitrário
leva o mesmo tempo
girar ao contrário
solstício equinócio eclipse lunar
mais do que trazer um novo dia
o sol se encarrega de clarear.
nunca houve um sétimo dia
para deus descansar.
Alex Moura
os dias têm personalidade
hoje terça-feira tem pegada
de segunda marcha
já houve o arranque
em velocidade baixa
o percurso temporal dispara
enquanto cortamos a estrada
diz para enquanto cortamos
os pulsos na segunda metade
de uma quinta-feira
besteira! fomos nós quem
batizamos os dias e fatiamos
o tempo
a noite não é antes
e nem depois, só é escura
as voltas que o ponteiro dá
são forjadas
girar no sentido horário
sempre me pareceu arbitrário
leva o mesmo tempo
girar ao contrário
solstício equinócio eclipse lunar
mais do que trazer um novo dia
o sol se encarrega de clarear.
nunca houve um sétimo dia
para deus descansar.
Alex Moura
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Da terra à graxa (Ser das cidades)
A força muscular
que faz o pé pedalar
as correntes da bicicleta
corta a resistência do ar.
A corrente e o músculo.
A bicicleta e o ar.
O pé e o pedal.
Conflito eufêmico
entre o mundo de ferro
e o natural.
A coexistência
entre o que já estava
e o que foi criado.
A dialética in natura
contradita à arquitetura.
Quando venta o ventilador
o mecânico ficou selvagem
ou a natureza domesticou?
Numa constante
disputa de espaço
passeiam os dias
cheios de flor e cimento,
entulho e excremento
habitando realidade.
Pedalei pelas veias
da cidade,
chuva molhando
descalço e calçado,
tanto que ao entrar molhado
no banco mais perto de casa
a porta-giratória calou-se
para a parte de céu e de mar
que eu trouxe.
Alex Moura
A força muscular
que faz o pé pedalar
as correntes da bicicleta
corta a resistência do ar.
A corrente e o músculo.
A bicicleta e o ar.
O pé e o pedal.
Conflito eufêmico
entre o mundo de ferro
e o natural.
A coexistência
entre o que já estava
e o que foi criado.
A dialética in natura
contradita à arquitetura.
Quando venta o ventilador
o mecânico ficou selvagem
ou a natureza domesticou?
Numa constante
disputa de espaço
passeiam os dias
cheios de flor e cimento,
entulho e excremento
habitando realidade.
Pedalei pelas veias
da cidade,
chuva molhando
descalço e calçado,
tanto que ao entrar molhado
no banco mais perto de casa
a porta-giratória calou-se
para a parte de céu e de mar
que eu trouxe.
Alex Moura
terça-feira, 8 de novembro de 2016
vendaval (trombando em jeitos)
para que
controlar ímpeto?
deixem as crianças
gritarem suas grandes
ideias de gente grande.
poeira só assenta
em mente vazia
em mente ocupada
sonho e realidade
permanecem
tanto um quanto outro
acontecem
dependendo
da ordem vigente
melhor pra gente
é bagunçar.
ocupar e arrumar
de outro jeito.
errado pra eles
pra gente é direito
atmosfera de mar revoltado
errado era o lado
que o vento ventava
sempre pra onde
a gente não estava.
mas agora
quem venta o vento
é a gente
que zune à janela
um som diferente:
- ocupa tuuuuuuudo! -
até ontem
esse vento era mudo
mas agora
ele zuniu mais forte
ventar é preciso
de conta-gotas
não saem maremotos.
Alex Moura
para que
controlar ímpeto?
deixem as crianças
gritarem suas grandes
ideias de gente grande.
poeira só assenta
em mente vazia
em mente ocupada
sonho e realidade
permanecem
tanto um quanto outro
acontecem
dependendo
da ordem vigente
melhor pra gente
é bagunçar.
ocupar e arrumar
de outro jeito.
errado pra eles
pra gente é direito
atmosfera de mar revoltado
errado era o lado
que o vento ventava
sempre pra onde
a gente não estava.
mas agora
quem venta o vento
é a gente
que zune à janela
um som diferente:
- ocupa tuuuuuuudo! -
até ontem
esse vento era mudo
mas agora
ele zuniu mais forte
ventar é preciso
de conta-gotas
não saem maremotos.
Alex Moura
sábado, 5 de novembro de 2016
A santa barca pro inferno (Ser das cidades)
A passos largos
correm os atrasados
do embarque.
Um xis vermelho
pisca sua última
urgência alarmada,
mas parece uma
cruz tombada,
assim como tombam
as esperanças
de quem queria
logo cruzar o mar.
Não corri,
um dos poucos,
e o velho marujo do cais,
julgando trazer
um alento
que me satisfaz,
balbuciou
para poucos ouvidos
que era aquela
a barca do inferno,
e que depois
do horizonte,
lá onde
reside a utopia,
ela despencaria
do mar.
Que inveja!
Dado o paraíso
moderno,
era na barca
que eu queria estar.
Alex Moura
A passos largos
correm os atrasados
do embarque.
Um xis vermelho
pisca sua última
urgência alarmada,
mas parece uma
cruz tombada,
assim como tombam
as esperanças
de quem queria
logo cruzar o mar.
Não corri,
um dos poucos,
e o velho marujo do cais,
julgando trazer
um alento
que me satisfaz,
balbuciou
para poucos ouvidos
que era aquela
a barca do inferno,
e que depois
do horizonte,
lá onde
reside a utopia,
ela despencaria
do mar.
Que inveja!
Dado o paraíso
moderno,
era na barca
que eu queria estar.
Alex Moura
quando dioniso gritou (Trombando em jeitos)
apolo que fui
por um momento
organizei
caguei regra limpei
e quando baguncei
fui livre pra não arrumar.
gastei meu tempo
com o que mais preciso
livre da ordem fui dioniso.
quem manda em mim
é o meu eu corporal
que submete à espera
o racional
nunca vesti
um par de meia igual
minhas frases terminam
com etcetera e tal
deixo no ar
e do bacanal
vou direto pro bar.
Alex Moura
apolo que fui
por um momento
organizei
caguei regra limpei
e quando baguncei
fui livre pra não arrumar.
gastei meu tempo
com o que mais preciso
livre da ordem fui dioniso.
quem manda em mim
é o meu eu corporal
que submete à espera
o racional
nunca vesti
um par de meia igual
minhas frases terminam
com etcetera e tal
deixo no ar
e do bacanal
vou direto pro bar.
Alex Moura
terça-feira, 1 de novembro de 2016
privado (Trombando em jeitos)
prisão domiciliar
quando sou
meu próprio domicílio.
sujeito apenas
às brisas que
me entram pelos olhos
quando estão abertos
se venta muito fecho.
perco a paisagem.
fora de mim há o mundo
que não poderei
mais vislumbrar.
dentro de mim
cama por fazer
louça na pia
cinzeiro cheio
e cheiro de lata vazia
comida vencida
na geladeira
copo vazio na mesa
na beira
um solavanco cai
durmo no meio
de um filme
desmarco a página
de um livro.
quando me perdi
pela última vez?
essa chuva
parece que vai durar
um mês.
para evitar que alague
abro minhas janelas
para não encharcar
tudo o que não fiz
e o peso da chuva de mim
transborda e escorre
por cima do meu nariz
preciso sair daqui
abandonar o que resta
de mim antes do fim.
apostar ir embora
apesar de gostar
mais de chuva
do que do sol
que queima lá fora.
Alex Moura
prisão domiciliar
quando sou
meu próprio domicílio.
sujeito apenas
às brisas que
me entram pelos olhos
quando estão abertos
se venta muito fecho.
perco a paisagem.
fora de mim há o mundo
que não poderei
mais vislumbrar.
dentro de mim
cama por fazer
louça na pia
cinzeiro cheio
e cheiro de lata vazia
comida vencida
na geladeira
copo vazio na mesa
na beira
um solavanco cai
durmo no meio
de um filme
desmarco a página
de um livro.
quando me perdi
pela última vez?
essa chuva
parece que vai durar
um mês.
para evitar que alague
abro minhas janelas
para não encharcar
tudo o que não fiz
e o peso da chuva de mim
transborda e escorre
por cima do meu nariz
preciso sair daqui
abandonar o que resta
de mim antes do fim.
apostar ir embora
apesar de gostar
mais de chuva
do que do sol
que queima lá fora.
Alex Moura
É a primavera que já começou (Cozinhando o golpe)
Primaveras
são promissoras,
no entanto,
há umas tais
que são ainda mais
do que outras.
Primaveras
em que flores
brotam das pontas
dos dedos,
de todos os lados.
Sufocam medos
que receiam
o mais do mesmo
e a estagnação.
Se primavera é renovação
a semente oculta
brota num processo
de fertilidade,
que garante
a diversidade das cores.
Flores que nascem
de boa raiz
fazem tão bem ao nariz
que até o aroma
é visível.
Se primavera
é estação de mudança,
plante:
porque mudar é possível.
Alex Moura
Primaveras
são promissoras,
no entanto,
há umas tais
que são ainda mais
do que outras.
Primaveras
em que flores
brotam das pontas
dos dedos,
de todos os lados.
Sufocam medos
que receiam
o mais do mesmo
e a estagnação.
Se primavera é renovação
a semente oculta
brota num processo
de fertilidade,
que garante
a diversidade das cores.
Flores que nascem
de boa raiz
fazem tão bem ao nariz
que até o aroma
é visível.
Se primavera
é estação de mudança,
plante:
porque mudar é possível.
Alex Moura
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