quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

naturalistas (Reflito)

uma irritação sintomática
mensalmente pontual
dessa tensão pré-socrática

vem elemento, muda elemento
água fogo terra vento

luz sobre o pensado
breu no pensante
naturalmente humano
só há estudado porque há estudante

luz no pensante, luz no pensado
acharíamos a natureza linda
se ninguém nos tivesse falado?

Alex Moura.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Do mundo todo

Teria que viver mais vidas
pra esgotar o que de vida
tem pra viver.
Vistas que não vi,
sabores que não provei.

Fica muito

de mundo incompleto
quando o mundo
de alguém acaba.
Sons que não ouvi,
cheiros que não cheirei.

Não é melhor para o mundo

que não se acaba,
do que para quem
se acaba o mundo.
Tanto não há quem tenha visto
o mundo todo,
quanto por ninguém
conseguiu ser visto
todo o mundo.

Considerando

que o mundo é redondo,
estamos a um mundo
de distância de nós mesmos.

Alex Moura.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

as frestas (Trombando em jeitos)

nunca foi fácil ver
através do que não existe.
há olhos que cegam claridade,
e olhos que enxergam escuridão.

não ser olho, não ser onde
e não ser tom.
enxergar o tom de onde olha,
é muito mais do que olhar,
é dom.

Alex Moura.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

profeta (Trombando em jeitos)


corto uma veia
do meu braço,
me desconstruo
me construindo.
roupagem de muda,
cobra, coleiro,
cobreiro nobre
que me desnuda.
sem couro, pele,
sem pena, pelo,
apelo ao pelo
que me cubra então.

tudo passa
e nada fica,
e me vem à mente
a obrigação
de ser semente
que não se mente,
que germina
sem ter bom chão,
mas quem não mente no final,
que finalmente diga
se eu sou quem penso ser ou não.

Alex Moura.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Humanas ciências (Publicado - Ser das cidades)

Depois que afrouxei
o nó da gravata,
saí por aí ouvindo bravata,
ganhando o mundo,
enfrentando sistemas,
através de sonho,
história e poemas.


Alex Moura.