quarta-feira, 29 de outubro de 2014

dos ganhos (trombando em jeitos)

quando nasci
um anjo torto me disse:
vai, filho, ser ponta-esquerda
na vida

meia perda.
não sou ponta.

Alex Moura.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A sensação
de calçar bigornas
que são menores
do que eu calço,
só para ir ali,
viver uma vida,
e voltar logo,
descalço.

Alex Moura.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Desaparências (Publicado - Entre o quando e o quase)

Você, poeta,
em frente
ao papel em branco
disposto a se tornar
metafísico,
só tome nas mãos a caneta,
se o que vier dela
te comprometa.

Quando escreves,
poeta,
a poesia,
feia ou bela,
diz muito mais de você
do que dela.

Alex Moura.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Com medo de morrer mudo
acabei falando muito
e dizendo nada.
Com medo de morrer muito
acabei falando nada
e dizendo tudo.

Alex Moura.
Aviso (Publicado - Ser das cidades)

Fiz o que não tinha que fazer
quando não fiz o que tinha que fazer.
E de não fazer os afazeres
percebi os prazeres que aqueles escondem.


Os seres, com as aparências urgentes das obrigações,

tramitam entre o fazer-acontecer
e a impossibilidade do não-fazer,
enquanto aguardam os dias em que as urbes avisem
no meio da vida acontecendo:


Sorria, você está sendo!


Alex Moura.
Atual mente

E agora essa história de viver de poesia?
Transitar da teoria utópica
para um teórico da utopia.
A potência de um mestre antes da potência.

Aristotelicamente semente
como semente que nunca se cria.

Alex Moura.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

betafísica (entre o quando e o quase)

existir não existe,
são reflexos dos sentidos:
dos olhados, dos falados,
dos cheirados, dos ouvidos.

a matéria, que pensa que é séria,
ilude a consciência nesse jogo
entre o devir e o ser.

viver não faz sentido,
mas os sentidos fazem viver.

Alex Moura.