domingo, 24 de janeiro de 2021

e daí? (as várias noites de um mesmo dia)


perde-se

a noção

de solidão

quando

se está

sempre sozinho.


quando

o silêncio

deixa

de ser exceção

e ganha

contornos de regra,

dimensão,

lugar-comum:

menos todos,

menos um.


e você

se acostuma

ora

com a saudade,

ora

com o zoom.


e sente a falta

de um mundo

inteiro

pra xingar

junto contigo

aquele desgraçado

que não é coveiro.


Alex Moura

sábado, 2 de janeiro de 2021

mais do que um minuto (as várias noites de um mesmo dia)

mais o silêncio
entre uma palavra
e outra,
o interdito.
o espaço
em branco
entre aquilo
que foi escrito.

o espaço e o silêncio,
o falso prolixo,
a falsa meia-noite
das várias noites
do mesmo dia.

não vou dizer nada,
mas quem diria?

Alex Moura