temporal (coletânea)
desconfio
que a arte
tem parte
com a
natureza.
há tempos
sem abrigar
artistas,
o coreto
da minha rua
protegeu da chuva
diversos anonimatos,
os artistas mesmo
dançavam e brincavam
nela.
Alex Moura
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
terça-feira, 3 de setembro de 2019
poema dos 40 anos (trombando em jeitos)
demora-se
um tanto de tempo
para nos tornarmos
quem somos
e outro tanto
para nos tornarmos
quem seremos
eu amo aquela
que você foi
justamente porque
foi ela
que fez quem você é
eu amo (como pode?)
aquela que você será
porque será
justamente
dessa que hoje você é
isso não significa
que eu te ame
através do tempo
significa que eu te amo
através do ser
é exatamente
isso que significa
eu não amo
aquela que foi
ou a que virá
eu amo aquela que fica.
Alex Moura
domingo, 1 de setembro de 2019
conversa sobre botas batidas
subverter a ordem
e consumar
sua vontade
dos beijos que quem pode
não te deu.
foi assim
que meu mundo recente
cresceu,
mas há esperança
na subversão
de consumar
vontades que são minhas
e que não tenho permissão
e, pelo menos,
por um breve instante
da temporalidade
viver, consumado,
no demorado
do seu abraço.
Alex Moura
subverter a ordem
e consumar
sua vontade
dos beijos que quem pode
não te deu.
foi assim
que meu mundo recente
cresceu,
mas há esperança
na subversão
de consumar
vontades que são minhas
e que não tenho permissão
e, pelo menos,
por um breve instante
da temporalidade
viver, consumado,
no demorado
do seu abraço.
Alex Moura
sábado, 17 de agosto de 2019
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
debaixo dos guarda-chuvas (ser das cidades)
nos dias cinzas
a cidade,
encoberta por nuvens,
revela pouco de si.
o que vemos
do alto
dos arranha-céus,
entre esbarrões
e desvios,
são guarda-chuvas
protegendo urgências.
e lá se vão
milhares de mundos
carregando seus medos,
coragens, confissões e segredos.
Alex Moura
nos dias cinzas
a cidade,
encoberta por nuvens,
revela pouco de si.
o que vemos
do alto
dos arranha-céus,
entre esbarrões
e desvios,
são guarda-chuvas
protegendo urgências.
e lá se vão
milhares de mundos
carregando seus medos,
coragens, confissões e segredos.
Alex Moura
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
quinta-feira, 25 de julho de 2019
quarta-feira, 24 de julho de 2019
quinta-feira, 11 de julho de 2019
quinta-feira, 4 de julho de 2019
domingo, 23 de junho de 2019
silêncio de escuro (ser das cidades)
o espaço que ocupamos
no mundo recortado
em tiras de tempo
que tiramos pra nós,
filetinho de feriado a sós.
escuro de quarto
de cortina preta
escondendo o meu mundo
entrando no seu.
o barulho que entregamos
à vizinhança
não permite a desconfiança
de que, muito mais do que grito,
produzimos gemidos de foda
em tamanha elegância
que disfarça a ânsia
dessa nossa trepada
abafada
por rock clássico.
Alex Moura
o espaço que ocupamos
no mundo recortado
em tiras de tempo
que tiramos pra nós,
filetinho de feriado a sós.
escuro de quarto
de cortina preta
escondendo o meu mundo
entrando no seu.
o barulho que entregamos
à vizinhança
não permite a desconfiança
de que, muito mais do que grito,
produzimos gemidos de foda
em tamanha elegância
que disfarça a ânsia
dessa nossa trepada
abafada
por rock clássico.
Alex Moura
quarta-feira, 19 de junho de 2019
terça-feira, 4 de junho de 2019
independência
carência de quietude,
vontade de quebrar
lâmpadas de holofote.
voltar pro dentro de mim,
opaco de tarde escura,
meio morte e meio cura
daquele que nunca
cheguei a ser.
sou agora esse silêncio
do não-dizer
e vou me deixando pra trás,
pra sempre, até nunca mais,
com mais preguiça
do que medo de morrer.
fali aquele que fui
antes daquele que esperava ser.
Alex Moura
carência de quietude,
vontade de quebrar
lâmpadas de holofote.
voltar pro dentro de mim,
opaco de tarde escura,
meio morte e meio cura
daquele que nunca
cheguei a ser.
sou agora esse silêncio
do não-dizer
e vou me deixando pra trás,
pra sempre, até nunca mais,
com mais preguiça
do que medo de morrer.
fali aquele que fui
antes daquele que esperava ser.
Alex Moura
domingo, 26 de maio de 2019
terça-feira, 14 de maio de 2019
poema para apartamentos novos (trombando em jeitos)
esses sentimentos
que desconhecem
limites de parede
transpassam
cômodos e incômodos
o que parte ansioso
da sala
chega otimista
à cozinha
copo cheio
a stout é sua
a ipa é minha
um brinde exalta
que onde quer
que estejamos
com quem quer
que seja
na linha
do novo olhar
estaremos sempre
a sós
prega aqui
esse quadro
arrasta pra lá
o sofá
e abre aquele
vinho pra nós.
Alex Moura
esses sentimentos
que desconhecem
limites de parede
transpassam
cômodos e incômodos
o que parte ansioso
da sala
chega otimista
à cozinha
copo cheio
a stout é sua
a ipa é minha
um brinde exalta
que onde quer
que estejamos
com quem quer
que seja
na linha
do novo olhar
estaremos sempre
a sós
prega aqui
esse quadro
arrasta pra lá
o sofá
e abre aquele
vinho pra nós.
Alex Moura
domingo, 12 de maio de 2019
sexta-feira, 10 de maio de 2019
PARE (Ser das cidades)
sinal vermelho,
fechado
para o pedestre.
a contagem regressiva
do equipamento
confirma que vidas
pararam por um
momento.
parecer
uma eternidade
confirma
a ansiedade
pela urgência
da necessidade
de retomarem
suas vidas.
quando, enfim,
o sinal indica: siga!
há uma placa
para cada consciência
sinalizando vida que segue.
Alex Moura
terça-feira, 7 de maio de 2019
mudança (Trombando em jeitos)
fazer dobras
no tempo
até se deslocar
para mais perto
de tudo
que ainda será
do ponto
de onde estou
entrego as chaves
do que passou
no ponto
onde vou chegar
recolho as chaves
do que virá
tantos que já fui
em tantos lugares
que já estive
que sou o tanto
de possibilidades
de quem vive
não sei
onde começo
e nem conheço
o meu fim
há muito mais gente
do que eu em mim
Alex Moura
fazer dobras
no tempo
até se deslocar
para mais perto
de tudo
que ainda será
do ponto
de onde estou
entrego as chaves
do que passou
no ponto
onde vou chegar
recolho as chaves
do que virá
tantos que já fui
em tantos lugares
que já estive
que sou o tanto
de possibilidades
de quem vive
não sei
onde começo
e nem conheço
o meu fim
há muito mais gente
do que eu em mim
Alex Moura
terça-feira, 30 de abril de 2019
sábado, 20 de abril de 2019
Schopenhauer a vontade
não se trata
só de tratado
filosófico:
esperar
é a maior
ação humana.
tudo é aguardo:
a hora do trem,
a hora do almoço,
resultado do Enem.
tudo é aguardo,
até pra quem
a hora do almoço
nem vem.
inútil
se trancar
no presente,
porque certamente
se espera
algo dele também.
a humanidade
está condenada
à expectativa,
daí meu pavor
de uma consciência
eternamente viva.
Alex Moura
não se trata
só de tratado
filosófico:
esperar
é a maior
ação humana.
tudo é aguardo:
a hora do trem,
a hora do almoço,
resultado do Enem.
tudo é aguardo,
até pra quem
a hora do almoço
nem vem.
inútil
se trancar
no presente,
porque certamente
se espera
algo dele também.
a humanidade
está condenada
à expectativa,
daí meu pavor
de uma consciência
eternamente viva.
Alex Moura
sem lei
"todo mundo
espera
alguma coisa
de um sábado
à noite...",
mas de uma
segunda-feira não.
prática em dia útil
com sede de álcool
e subversão.
todo dia é dia
de nada, de tudo
e qualquer coisa.
faça como tu queres
porque tudo é nada,
tudo e qualquer coisa
e o mundo
não espera pra ser,
por que ele esperaria você?
Alex Moura
"todo mundo
espera
alguma coisa
de um sábado
à noite...",
mas de uma
segunda-feira não.
prática em dia útil
com sede de álcool
e subversão.
todo dia é dia
de nada, de tudo
e qualquer coisa.
faça como tu queres
porque tudo é nada,
tudo e qualquer coisa
e o mundo
não espera pra ser,
por que ele esperaria você?
Alex Moura
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Deveres humanos
não devia haver
hora pra tudo,
nem pra nada.
estamos sempre
dentro ou fora
daquilo em que
deveríamos estar.
devemos sempre
estar, fazer,
a ação contínua
de estar fazendo.
não estar, ou não fazer,
é estar, ainda que devendo.
não devia haver
hora pra tudo,
nem pra nada:
hora de cortar as unhas,
de pagar a luz,
de trocar toalha,
de pedir trocado.
nada deveria dever.
para além de tudo
que esperam de mim
eu só deveria ser.
Alex Moura
não devia haver
hora pra tudo,
nem pra nada.
estamos sempre
dentro ou fora
daquilo em que
deveríamos estar.
devemos sempre
estar, fazer,
a ação contínua
de estar fazendo.
não estar, ou não fazer,
é estar, ainda que devendo.
não devia haver
hora pra tudo,
nem pra nada:
hora de cortar as unhas,
de pagar a luz,
de trocar toalha,
de pedir trocado.
nada deveria dever.
para além de tudo
que esperam de mim
eu só deveria ser.
Alex Moura
quinta-feira, 28 de março de 2019
Pedras rolando
há sempre o que esperar
por trás dos muros
do último segundo.
todo o tempo
é de partida e chegada.
parti do último segundo,
cheguei no próximo
e o tempo, corrente,
contínuo por convenção,
é o porto onde atracam
todas as nossas expectativas.
o devir é o destino
de todas as pessoas vivas.
Alex Moura
terça-feira, 19 de março de 2019
os pés são naturais (haja haja)
nunca consegui
pisar descalço
terrenos acidentados
com pedrinhas.
a sola dos pés
que sustentam
minha vida,
sempre me pareceram
sensíveis.
ficava pra trás
nas disputas
pela bola
nos campos
de terra batida.
precisava fazer forte
minha alma,
mas não sabia
que precisava
e por conta disso
recorri aos sapatos.
triste recurso
me privar dos contatos
com o chão do mundo
julgando que calçado
eu duraria mais.
ledo engano:
nunca tive um sapato
que acompanhasse
o visceral crescimento
dos meus pés.
Alex Moura
domingo, 17 de março de 2019
segunda-feira, 11 de março de 2019
proibidão (haja haja)
há sonhos
que carregam
uma sentença,
como se fosse
uma crença,
que só pra trás
dos olhos fechados
sua sanha acontece.
mas o que
a gente esquece
é que olhos abertos,
urgência acordada,
nos revelam
o mundo de fora.
e olhos fechados,
relaxo de sonho,
realizam
o proibido de dentro.
Alex Moura
há sonhos
que carregam
uma sentença,
como se fosse
uma crença,
que só pra trás
dos olhos fechados
sua sanha acontece.
mas o que
a gente esquece
é que olhos abertos,
urgência acordada,
nos revelam
o mundo de fora.
e olhos fechados,
relaxo de sonho,
realizam
o proibido de dentro.
Alex Moura
domingo, 17 de fevereiro de 2019
catálogo (haja haja)
tudo o que acontece
na minha vida
é simples repetição.
há tempos não me ocorre
nada pela primeira vez,
crise de inéditos.
pra onde o resfolegar
da expectativa?
a ansiedade bem-vinda
do medo do desconhecido?
hoje tudo o que é, já foi,
falsos deuses, velhos amigos.
em tempos de amores líquidos
frio na barriga
se resolve com Omeprazol.
Alex Moura
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Quem manda na mata (Ser das cidades)
em busca das notas
de um piano de cauda
que comanda o coro
des muites
bem no meio da rua,
bem no meio do Rio.
a Folha Seca
que canta em Simas
o seu parabéns pra vocês,
o seu sincretismo
de golzinho feito
de chinelo velho
em rua de terra batida,
depois de escolher
os times no par ou ímpar
entre Oxóssi e Sebastião.
não tem juiz,
mas morubixaba,
que apita o jogo e dá o tom
da roda enquanto o couro come.
avisa lá que esse pagode da gente
é pra ouvidor-mor ouvir, calado.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
para onde isso leva?
a prontidão
para aquilo
que não se sabe
que vai ocorrer,
atenção eterna
ao talvez,
ou ao nada,
ao não saber
o que é
ou o que será.
e se um dia
não for,
nunca saber
será idem
a saber
desde sempre.
e se um dia for,
como saber
que já é?
a sabedoria
é algo entre
o oco e o vácuo.
quando faltar
a última
das consciências,
jamais saberemos
que nunca houve
nada a saber.
Alex Moura
a prontidão
para aquilo
que não se sabe
que vai ocorrer,
atenção eterna
ao talvez,
ou ao nada,
ao não saber
o que é
ou o que será.
e se um dia
não for,
nunca saber
será idem
a saber
desde sempre.
e se um dia for,
como saber
que já é?
a sabedoria
é algo entre
o oco e o vácuo.
quando faltar
a última
das consciências,
jamais saberemos
que nunca houve
nada a saber.
Alex Moura
domingo, 13 de janeiro de 2019
poema de apartamento (trombando em jeitos)
gato a espreita
na porta
esperando a hora
de entrar
não importa
o quanto vai demorar
eu que observo
julgo que levou
muito tempo
até o gato
alcançar o lado
de dentro
mais do que eu
poderia esperar
o gato
sem sintomas
de ansiedade
não sabe
que perdeu tanto tempo
quem julga que perdeu
somos nós
que inventamos
o demoramento
nunca nos permitimos
a espera
pressa é coisa de gente.
Alex Moura
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