terça-feira, 27 de novembro de 2018

Pedrada

tanta coisa
no meio
de um caminho,
um oceano inteiro:
- grande Kalunga!
resmunga
alguém que aportou
por aqui.

tanta coisa
no meio
de um caminho:
o banzo,
o banjo,
a resistência.
batuque de samba,
de arte e ciência.

havia
uma pedra
no meio
do caminho,
mas era de sal,
conserva
da história
que terminou
no maior carnaval.

Alex Moura

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Racionalismo

hoje
eu não quero
escrever nada.
quero sentar
na mesa do bar
e ignorar
códigos verbais
que transmitem
e recebem mensagens
dotadas de sentido.
onírico, antiempírico.
hoje eu não quero
sentir nada.

Alex Moura

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

síndrome de lugar e hora errados (haja haja)

eu não devia
estar onde estou,
procrastinei
tudo quanto pude,
empurrei com a
barriga
trabalho e saúde.
o que ilude
é a certeza
de que tudo
vai ficar bem
no final.

estou para além
da vida,
lá onde não há
mais nada de mim.
onde tudo
está terminado.
um lapso
de consciência
atrasado
que faz
parecer meio
aquilo que já é fim.

Alex Moura