pra dentro (as várias noites de um mesmo dia)
a decisão
sobre minha vida
não é minha.
há algum tempo
o poder
sobre quem vive
e quem morre
reside no anonimato.
a loteria sobre
morro ou mato.
é estar isolado
e andar
com os pés dos outros
um caminho
que eu não percorri,
e viver decrescendo
catorze como se eu
mesmo estivesse ali.
a curva
do meu contágio
já não demonstra
ascensão
ou achatamento,
se confunde
numa espiral
entre o inicio, o fim
e o demoramento.
lamento
de quem já
morreu por dentro
e não abandona
o isolamento
por ter certeza
que aquilo que tinha
não resistiria
ao menor pé-de-vento.
Alex Moura
