quarta-feira, 31 de outubro de 2018

pra não dizer que não falei de foda-ses

antes de por
os dois pés
pra fora da cama
a mente atravessa
o cedo do dia:
será que é hoje
que eu morro?
o intervalo
entre o alerta
e o socorro
virou vigília.
viver
virou aquele
intervalo entre
um ou dois pés
no chão
na hora do passo
apressado.

até que se
cansa de
tanto correr.
tem horas que,
vou te dizer,
foda-se o tropeço.

Alex Moura

quarta-feira, 24 de outubro de 2018


Esperança

cuidado
com aquilo
que você pensa,
pode ser
seu último
pensamento.

capriche
naquilo
que você fala,
pode ser
sua última
palavra.

lute
por aquele
que você é,
pode ser
seu único ser.

tenho
bebido tanto
por conta
da conjuntura,
que esse
poema-cirrose
haverá de me
livrar da tortura.

Alex Moura
Doutrinadores

com o que,
afinal,
precisamos
prestar contas?
onde estavam
nossas consciências
quando seguíamos
a passos largos
o caminho
do mais injusto
esquecimento?
por quem seremos
daqui por diante?
tome seu chapéu,
vista seu casaco
e caminhe
com atenção,
porque sua vigília
sobre si mesmo
pode ser a última
lembrança
que o mundo
guardará de você.

essa noite
dormiremos
e amanheceremos
em algum canto.
seja de uma esquina,
de uma cela
ou de algum pássaro.

Alex Moura

sábado, 13 de outubro de 2018

É verdade esse bilete

há um muro
intransponível
entre a mentira
e a mentira,
a que tira tudo
do lugar
de onde está.

o lugar onde estava
tudo o que a mentira
tira era verdade.
pêndulo do tempo
que sempre
há de voltar
pro mesmo lugar.

já se sabe como,
só não se sabe quando
e nem se haverá
algum de nós pra contar.

Alex Moura

terça-feira, 9 de outubro de 2018

E aqueles que foram vistos dançando

o mundo,
ultimamente,
anda tão carente
de instinto.
tudo precisa
fazer sentido,
ser racional,
que nas últimas
festas o pessoal,
se esforçando pra
segurar os copos
nas mãos,
não perceberam
quantas danças
clamavam por seus pés.
parados, somente razão,
desperdiçavam a potência
de instintos, famintos,
desejando seus corpos.

Alex Moura