Paradoxo (Publicado - Entre o quando e o quase)
Tempos perpétuos passageiros
que sempre chegam ao infinito.
Demoram-se tão rapidamente
que todos os seus nenhum minutos
duram mais de sessenta segundos imediatos.
Ora tudo demora.
Ora tudo é tão rápido.
Espaço, dê espaço ao tempo,
que ele quer, só por um momento, demorar.
Cedo ou nunca;
Agora ou tarde;
é sempre questão de perspectiva.
Alex Moura
quinta-feira, 31 de março de 2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
Contender (Publicado - Entre o quando e o quase)
Tenho pálpebras ansiosas,
permanecerem abertas
é um pesar demoramento.
Mas eu, sem ser somente pálpebras,
quase que por ironia,
as mantenho abertas durante a noite
tal qual fosse de dia.
Porque mais do que minhas pálpebras
sou viço torto, sinapse combustão,
respiração curta da ansiedade
que me cobra o coração.
- Dormir é luxo quase infantil.
Debocha assim meu eu mais sujo
daquele eu que já dormiu.
Alex Moura
Tenho pálpebras ansiosas,
permanecerem abertas
é um pesar demoramento.
Mas eu, sem ser somente pálpebras,
quase que por ironia,
as mantenho abertas durante a noite
tal qual fosse de dia.
Porque mais do que minhas pálpebras
sou viço torto, sinapse combustão,
respiração curta da ansiedade
que me cobra o coração.
- Dormir é luxo quase infantil.
Debocha assim meu eu mais sujo
daquele eu que já dormiu.
Alex Moura
segunda-feira, 28 de março de 2016
Tardio (Publicado - Entre o quando e o quase)
O ócio que agora nos negam.
Placas em led piscando: - Não parem!
O nosso precioso tempo,
quanto mais precioso menos nosso.
Tentamos unir nossas forças,
mas alguém botou preço e as chamou
de trabalho.
Saudade da Antiguidade Clássica,
quando precioso era o tempo ocioso,
que de herança só nos deixaram a rima.
Alex Moura
O ócio que agora nos negam.
Placas em led piscando: - Não parem!
O nosso precioso tempo,
quanto mais precioso menos nosso.
Tentamos unir nossas forças,
mas alguém botou preço e as chamou
de trabalho.
Saudade da Antiguidade Clássica,
quando precioso era o tempo ocioso,
que de herança só nos deixaram a rima.
Alex Moura
Confusão (Publicado - Entre o quando e o quase)
O tom que transpassa
a opacidade dos meus concretos,
que já foram secretos,
hoje se sabem mais publicados.
Cansados, os sentidos sentem
o peso de uma metafísica urgente,
gritando clemente: - Acredita em mim!
Os ouvidos, físicos,
não ouvem os metafísicos gritos,
mas aquilo que julgo intuição
ora sim, ora não.
Alex Moura
O tom que transpassa
a opacidade dos meus concretos,
que já foram secretos,
hoje se sabem mais publicados.
Cansados, os sentidos sentem
o peso de uma metafísica urgente,
gritando clemente: - Acredita em mim!
Os ouvidos, físicos,
não ouvem os metafísicos gritos,
mas aquilo que julgo intuição
ora sim, ora não.
Alex Moura
quinta-feira, 24 de março de 2016
Das falsas virtudes (Publicado - Entre o quando e o quase)
Tive virtudes que ninguém conheceu,
que levaram-me a virtuosos atos
que ninguém viu.
Ter, conhecer, levar ou ver
são ações que não me fizeram
mais virtuoso do que julguei ser.
Sim! Julguei!
Minha virtude é arbitrária,
somente eu acredito tê-la.
Sou mais quem outros viram
do que quem mesmo fui.
Alex Moura
Tive virtudes que ninguém conheceu,
que levaram-me a virtuosos atos
que ninguém viu.
Ter, conhecer, levar ou ver
são ações que não me fizeram
mais virtuoso do que julguei ser.
Sim! Julguei!
Minha virtude é arbitrária,
somente eu acredito tê-la.
Sou mais quem outros viram
do que quem mesmo fui.
Alex Moura
quarta-feira, 23 de março de 2016
E de repente o parto (Trombando em jeitos)
livrei-me das perfeições
oxalá!
que agora sou um velho homem
não terei mais o mundo
que nunca quis conquistar
abdiquei do trono da felicidade
tirei o peso do mundo das costas
vivendo entre perfumes e bostas
vivo como se um fosse outro
perfume não é perfume em si
mas a condição que a ele é dada
bosta só é bosta se assim a vir
senão não é nada
livrei-me das expectativas
que eram depositadas em mim
e negando a condição de feliz
da felicidade dos outros, fui feliz.
Alex Moura
livrei-me das perfeições
oxalá!
que agora sou um velho homem
não terei mais o mundo
que nunca quis conquistar
abdiquei do trono da felicidade
tirei o peso do mundo das costas
vivendo entre perfumes e bostas
vivo como se um fosse outro
perfume não é perfume em si
mas a condição que a ele é dada
bosta só é bosta se assim a vir
senão não é nada
livrei-me das expectativas
que eram depositadas em mim
e negando a condição de feliz
da felicidade dos outros, fui feliz.
Alex Moura
domingo, 20 de março de 2016
Refração (Publicado - Entre o quando e o quase)
Há árvores que dão frutos,
há árvores que dão sombra.
Há, ainda, as que dão frutos e sombra.
Há, também, as árvores que nada dão.
Não dar frutos é mais comum,
não dar sombra não.
Considerando que sombras
dependem de um brilho externo,
em árvores que não dão sombra
eterno é o breu em sua volta que nada reluz.
Repousam aí suas raridades,
que no lugar de sombra, dão luz.
Alex Moura
Há árvores que dão frutos,
há árvores que dão sombra.
Há, ainda, as que dão frutos e sombra.
Há, também, as árvores que nada dão.
Não dar frutos é mais comum,
não dar sombra não.
Considerando que sombras
dependem de um brilho externo,
em árvores que não dão sombra
eterno é o breu em sua volta que nada reluz.
Repousam aí suas raridades,
que no lugar de sombra, dão luz.
Alex Moura
Pensamentos de um amigo no Além-mar? (Publicado - Entre o quando e o quase)
Notas do Além-mar.
Notícias esparsas e frequentes.
Penso em gente
enquanto trato só com vozes.
Algozes, carência e excesso,
transitam entre carência de estar
e excesso de ser.
Na dialética
entre o ser e o estar,
sou e estou só,
do lado contrário do mar.
Meu celular é o Atlântico,
mas não faz mal, eu hei de voltar;
Sebastião tropical.
Alex Moura
Notas do Além-mar.
Notícias esparsas e frequentes.
Penso em gente
enquanto trato só com vozes.
Algozes, carência e excesso,
transitam entre carência de estar
e excesso de ser.
Na dialética
entre o ser e o estar,
sou e estou só,
do lado contrário do mar.
Meu celular é o Atlântico,
mas não faz mal, eu hei de voltar;
Sebastião tropical.
Alex Moura
tudo posso na mulher que me fortalece
e por falar em sexo
o frágil não era eu
ou era?
cecilia que sempre teve
um sexo forte
rearranjou paradigmas
deixa que eu faço! fazia
hoje eu não faço! cagava
deixa que eu vou! e ia
hoje eu não vou! não estava
minha matéria
rearranjada pela forma
que cecilia deu
entendeu que o forte não era eu
mas tudo que de mulher havia em mim.
Alex Moura.
e por falar em sexo
o frágil não era eu
ou era?
cecilia que sempre teve
um sexo forte
rearranjou paradigmas
deixa que eu faço! fazia
hoje eu não faço! cagava
deixa que eu vou! e ia
hoje eu não vou! não estava
minha matéria
rearranjada pela forma
que cecilia deu
entendeu que o forte não era eu
mas tudo que de mulher havia em mim.
Alex Moura.
sábado, 5 de março de 2016
TOC II
Das trágicas lembranças
neuróticas sinapses,
demoramentos constantes
que secam chão.
"Do que que tu tá falando,
irmão?"
Assim é o não-acontecer
das mentes,
neurônios transamazonicamente
distantes uns dos outros.
Refúgio é pouco,
não se pode se esconder
de pensamentos quando você
é o próprio refúgio deles.
Alex Moura
Das trágicas lembranças
neuróticas sinapses,
demoramentos constantes
que secam chão.
"Do que que tu tá falando,
irmão?"
Assim é o não-acontecer
das mentes,
neurônios transamazonicamente
distantes uns dos outros.
Refúgio é pouco,
não se pode se esconder
de pensamentos quando você
é o próprio refúgio deles.
Alex Moura
Eu não me entendo,
assim como não entendo nada.
Às vezes algo faz algum sentido,
daí espocam sorrisos e entusiasmo,
mas é um sentido breve,
crisálida ávida pra se destruir.
Um sentido desconfiado,
uma desconfiança de que fazer
sentido não faz sentido.
Não que a vida só valha a pena
quando tudo é mesmo acaso,
mas nesse caso é quando eu
mais me aguento, e minha vida
deixa de ser demoramento.
Alex Moura
assim como não entendo nada.
Às vezes algo faz algum sentido,
daí espocam sorrisos e entusiasmo,
mas é um sentido breve,
crisálida ávida pra se destruir.
Um sentido desconfiado,
uma desconfiança de que fazer
sentido não faz sentido.
Não que a vida só valha a pena
quando tudo é mesmo acaso,
mas nesse caso é quando eu
mais me aguento, e minha vida
deixa de ser demoramento.
Alex Moura
Assinar:
Postagens (Atom)
