Por onde anda a poesia? (Ser das cidades)
Na rua,
a curtos passos,
vi um balão de gás
vermelho
ziguezagueando
entre os carros
no meio da pista.
Procurei ali a poesia.
Vi um senhor
de suspensórios
conferir tristemente
o obtuso da conta bancária.
Procurei ali a poesia.
Vi um camelô pegar,
ainda no ar,
o papel que voou
da pasta do executivo.
Procurei ali a poesia.
Vi as folhas
caídas ao chão
fugindo insistentemente,
como um pequeno furacão,
da vassoura que um senhor
trazia na mão.
Procurei ali a poesia.
Vi o sinal abrir
para o pedestre
quando não havia
ninguém na calçada,
obrigando a rua
a ficar parada.
Procurei ali a poesia.
Fracassei!
Em nenhum dos casos
achei.
Sinto uma pena
quando me escapa um poema.
Alex Moura
sábado, 10 de dezembro de 2016
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
O limite da metamorfose
Urgência
pra que tudo aconteça
ainda que não se saiba
o que é tudo.
Mas se existe devir
nunca teremos vivido tudo,
porque terá sempre mais
por vir.
O complexo da lagarta:
viver sempre esperando
o casulo
que garantirá uma vida melhor.
Melhor?
Há uma borboleta na lagarta,
mas lagarta alguma
na borboleta, sequer casulo.
Não há devir pra borboleta,
ela sim já viveu tudo.
Alex Moura
Urgência
pra que tudo aconteça
ainda que não se saiba
o que é tudo.
Mas se existe devir
nunca teremos vivido tudo,
porque terá sempre mais
por vir.
O complexo da lagarta:
viver sempre esperando
o casulo
que garantirá uma vida melhor.
Melhor?
Há uma borboleta na lagarta,
mas lagarta alguma
na borboleta, sequer casulo.
Não há devir pra borboleta,
ela sim já viveu tudo.
Alex Moura
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