sexta-feira, 24 de agosto de 2018

debaixo de sete palmos

algo que tá
dentro de mim
me confessou
que nunca mais
vou ser feliz.
foda-se!
isso nunca foi
o que eu quis.

condenado
a existir,
vou demorando
por aqui,
até que um dia
eu, ou a vida, acorde,
olhe nos olhos
do outro e diga:

desculpe,
o problema
não é você,
é comigo.

e saia cantando
aquela música
do Milton
que fala de amigo.

alex moura

terça-feira, 14 de agosto de 2018

dos noves de agosto (trombando em jeitos)

ser pra sempre
demanda tempo
e a gente
vive brincando
de não existir.
todo mundo
traz em si
a potência
da imortalidade.

aquilo que fica
quando alguém
já não está
é o recurso
da memória
erguendo
as eternidades.

ontem
o dia foi cheio,
mesmo cansado
demorei pra dormir.
hoje,
pisando no freio,
sentei no bar,
pedi uma cerveja,
lembrei de você
que voltou a existir.

Alex Moura. Niterói, 09/08/2018, 12 anos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Pitagórico

o chopp é 4,50
em frente ao edifício
Real Brasileiro,
Rua São José, 46.
a chuva apertou
e eu parei pra tomar 3.
comprei 1 guarda-chuva
por 10 pra andar 200 metros.

já perdi a conta
das vezes que inventei
uma desculpa pra justificar
meus pecados capitais.
vou apostar em 7,
mas foram mais.

Alex Moura
Continuando

monotonia estrutural
reage a
ritmo desenfreado,
o desejo de viver
sempre o tempo do orgasmo,
ou a busca dele,
oculta pré-eliminares
que têm seu ápice
na duração, degustação.
se ocupa mais do processo,
do que da digestão.

maldizer percurso
só é possível
se for demoramento.
a humanidade
ainda não descobriu
que viver leva tempo.

Alex Moura