domingo, 30 de setembro de 2012

Beco (Publicado - Ser das cidades)


Por vezes
a convicção assalta
e prospera a vontade
de ter um quarto,
com mesa-cadeira,
e luz fraca.
Um tanto de folha
que comporte sentimentos
bons, ruins, felizes
e desgraçados.

Garrafas decorando
em escala alternada
o ambiente escuro:
uma cheia, uma vazia,
uma cheia, outra vazia
e uma porrada vazia
no canto prometido
a um criado-mudo.
Foda-se!
Sem criados no mundo,
ainda que seja um mudo.

Isso resolveria
o crônico problema
da paciência,
ou da falta dela.
Da pose e das sociais
que se fazem necessárias
e que eu já não consigo ter mais.


Quem dera eu fosse
um novo porta-voz
dos boêmios bêbados,
vagabundos e andarilhos,
que dará voz a todo recriminado,
aparente e etilicamente,
e que buscará na sarjeta
das boemias a inspiração sofrida
e suja para abastecer
esse novo projeto de vida.

Perspectiva que falta
se resolve com papel e caneta,
um mediano silêncio,
uma garrafa aberta e uma pretensa
imaginação poética.

Alex Moura

Nenhum comentário:

Postar um comentário