sábado, 10 de dezembro de 2016

Por onde anda a poesia? (Ser das cidades)

Na rua,
a curtos passos,
vi um balão de gás
vermelho
ziguezagueando
entre os carros
no meio da pista.
Procurei ali a poesia.

Vi um senhor
de suspensórios
conferir tristemente
o obtuso da conta bancária.
Procurei ali a poesia.

Vi um camelô pegar,
ainda no ar,
o papel que voou
da pasta do executivo.
Procurei ali a poesia.

Vi as folhas
caídas ao chão
fugindo insistentemente,
como um pequeno furacão,
da vassoura que um senhor
trazia na mão.
Procurei ali a poesia.

Vi o sinal abrir
para o pedestre
quando não havia
ninguém na calçada,
obrigando a rua
a ficar parada.
Procurei ali a poesia.

Fracassei!
Em nenhum dos casos
achei.

Sinto uma pena
quando me escapa um poema.

Alex Moura

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