há um extrapeso
que povoa o que sou
que não sendo eu
só povoa
mas me almeja
seduz
e que tem a mim
como fim
transpassa-me
dança ciranda
à minha volta
mais ameaça
do que escolta
essa criatura
nas minhas costas
bizarra bela
perto de mim
tanto dela
trazendo na mão
às vezes pão
às vezes vela
essa criatura
com sede do meu
sangue
querendo que eu
seja ela
o peso não pesa
somente uma
mas várias delas
que aquele único que fui
percebeu que aquelas criaturas
são todas que ainda não fui
insistentemente querendo ser eu.
Alex Moura
insistentemente querendo ser eu.
Alex Moura

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