sexta-feira, 27 de outubro de 2017

homem invisível (trombando em jeitos)
quando permaneci em mim
pela última vez
demorei um mês e estava satisfeito
tinha alcançado a minha melhor versão
por que não?
poderia ser assim pra sempre
mas depois cansei
e comecei a tentar ser outros
não somente o que não fui
mas aquele que não sou
não ser eu
já era um bom negócio
como se de repente
eu ficasse fora de moda

ultrapassado na última estação
em ritmo de promoção
até acabar-me do estoque
minha desorganização
meus livros
meus discos
meus poemas
minha voz
meu corpo
minha memória
tudo gaveteado até desaparecer
com uma etiqueta na tranca
escrito: não ser!
fui vivendo assim
sem sequer ser eu
sendo aquilo que não sabia
sendo aquilo que não era
tu
nós
você
só a mim que não conseguia ser


porque ser talvez seja isso
tudo o que já fomos
mais o que não fomos
o que seremos e o que não seremos
num grande espaço chamado tempo
que vai acabando ao passo que somos.

Alex Moura

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