d(g)ramático (poemas ruins)
Acredito que o poeta
seja um sujeito
que já esteja meio morto,
e aquilo que entende
por vida plena
seja apenas a peleja
entre morte e vida.
No lugar de agente
e senhor da razão,
sofre a ação
dos seus substantivos,
que mortos ganham formas
de verbos vivos:
sua pedra o apedreja,
o mosquito o mosquiteia,
o tempo entempando
enteiando-o na sua teia.
A poesia é o grito
da sobrevida sobre a morte,
com sorte
sobrevive à meia-vida
enquanto os substantivos
suicidam ele.
Alex Moura
terça-feira, 6 de setembro de 2016
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