domingo, 23 de outubro de 2016

a paciência do não-lugar (trombando em jeitos)

ainda existimos
no compasso da espera
no trânsito congestionado
em cima da guanabara
pra chegar do outro lado.
tenho uma vida
nesse lado da ponte
que continua no lado de lá
mas como existir
no caminho parado
disfarçado de não-lugar?

tenho o mundo
ao alcance da mão
na insistência ociosa
do celular
mas no meio da ponte
eu não posso vivê-lo
só se eu chegar ou voltar.
desisto da ansiedade
considero o entorno
e observo que existe
um pouco de mim
nesse eu que vive na ponte
que aguarda estoico assim
brincando de juntar o cinza
do céu e do mar no horizonte

como é bom me encontrar
comigo que vim
comigo que estou
e com o que vai chegar.

o que estou agora
não poderá mais escrever
porque o trânsito começou a andar.

Alex Moura

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