último solo de ian curtis (Trombando em jeitos)
gosto dos dias
que conseguimos
segurar o cinza que está no ar
não me agrada saber
que o sol brilha
para além das nuvens
nos dias de céu trancado
roubei a chave de pedro
e me tranquei
do lado de fora do céu
o sol que brilhe pra lá
hoje só reconheço rumores
das alegrias que tentei preservar.
mais cerveja ansiedade
e cigarro em pista de bar
a epilepsia de curtis
me fez dançar
todos os meus fantasmas
povoam as margens
do espaço que ocupo no mundo
mas só tomei consciência
depois que a fumaça
modelou um vulto
daquilo que sempre esteve oculto
hoje
danço brinco
choro reclamo
pulo e resmungo com eles
sei seus nomes um por um
quando estou só comigo
eles gritam eu apareço
e distante do que forjo ser
me reconheço
sou quem não sabem
um pouco menos
de qualquer coisa
e um pouco mais.
os dias cinzas
sempre me agradaram
como nenhum outro é capaz.
Alex Moura
terça-feira, 18 de outubro de 2016
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