privado (Trombando em jeitos)
prisão domiciliar
quando sou
meu próprio domicílio.
sujeito apenas
às brisas que
me entram pelos olhos
quando estão abertos
se venta muito fecho.
perco a paisagem.
fora de mim há o mundo
que não poderei
mais vislumbrar.
dentro de mim
cama por fazer
louça na pia
cinzeiro cheio
e cheiro de lata vazia
comida vencida
na geladeira
copo vazio na mesa
na beira
um solavanco cai
durmo no meio
de um filme
desmarco a página
de um livro.
quando me perdi
pela última vez?
essa chuva
parece que vai durar
um mês.
para evitar que alague
abro minhas janelas
para não encharcar
tudo o que não fiz
e o peso da chuva de mim
transborda e escorre
por cima do meu nariz
preciso sair daqui
abandonar o que resta
de mim antes do fim.
apostar ir embora
apesar de gostar
mais de chuva
do que do sol
que queima lá fora.
Alex Moura
terça-feira, 1 de novembro de 2016
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