terça-feira, 1 de novembro de 2016

privado (Trombando em jeitos)

prisão domiciliar
quando sou
meu próprio domicílio.
sujeito apenas
às brisas que
me entram pelos olhos
quando estão abertos
se venta muito fecho.
perco a paisagem.
fora de mim há o mundo
que não poderei
mais vislumbrar.
dentro de mim
cama por fazer
louça na pia
cinzeiro cheio
e cheiro de lata vazia
comida vencida
na geladeira
copo vazio na mesa
na beira
um solavanco cai

durmo no meio
de um filme
desmarco a página
de um livro.
quando me perdi
pela última vez?
essa chuva
parece que vai durar
um mês.
para evitar que alague
abro minhas janelas
para não encharcar
tudo o que não fiz
e o peso da chuva de mim
transborda e escorre
por cima do meu nariz

preciso sair daqui
abandonar o que resta
de mim antes do fim.
apostar ir embora
apesar de gostar
mais de chuva
do que do sol
que queima lá fora.

Alex Moura

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