sábado, 5 de novembro de 2016

A santa barca pro inferno (Ser das cidades)

A passos largos
correm os atrasados
do embarque.
Um xis vermelho
pisca sua última
urgência alarmada,
mas parece uma
cruz tombada,
assim como tombam
as esperanças
de quem queria
logo cruzar o mar.

Não corri,
um dos poucos,
e o velho marujo do cais,
julgando trazer
um alento
que me satisfaz,
balbuciou
para poucos ouvidos
que era aquela
a barca do inferno,
e que depois
do horizonte,
lá onde
reside a utopia,
ela despencaria
do mar.
Que inveja!
Dado o paraíso
moderno,
era na barca
que eu queria estar.

Alex Moura

Nenhum comentário:

Postar um comentário