sexta-feira, 14 de abril de 2017

Edifício Menezes Cortes (Ser das cidades)

Um transpassar,
solados consumindo passos:
um pra lá, um pra cá.
Alguns seguram alça
de bolsa,
outros falam na ligação;
fitam a frente, fitam o chão.
Um zigue-zague humano
levando todas as suas
urgências.
Olham apenas suas
projeções,
não me veem, não me sabem
os vendo, como um deus,
observando um a um,
sabendo.
Ninguém sabe  que os vejo,
todos, a passos firmes
para a borda dos seus
destinos:
homens, mulheres, meninos.

Até que alguém me percebe,
por menos de um segundo
me fita os olhos,
e nesse ínfimo tempo
dois olhares começam
e acabam no mesmo lugar,
uma linha, de retina a retina,
segura dois sabedores de si,
até que se estanca.
Os destinos transbordam,
voltam às urgências
e fitando aquilo que sobra,
seguem.
Já não são mais deuses,
sabem somente de si,
resistem,
olho pra dentro de cada um
dos sete bilhões de mundos
que existem.

Alex Moura

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