Sentinela (Ser das cidades)
Ah! Sentinela noite!
A responsabilidade dorme
em berços conjugais.
Os meus olhos, insistentes,
ignoram calendários.
Não há peso sobre minhas pálpebras,
e o decorrer da madrugada
será manchete de manhã.
Surgiu o alarde da noite:
"- Dorme que te faz bem!";
e as horas da insônia
serão folhas esmiuçadas.
Queria uma canção de ninar,
músicas de hélices de ventilador:
constantes, soníferas.
A garganta do mundo é escura
e inflama lá fora,
onde acontecem romances e crimes,
onde escorrem gozo e sangue.
Pronta para me adormecer,
me sinto cuspido da noite,
do seu afago,
refugiado na claridade da sala,
do ego, de mim.
Licores cospem sono,
usá-los é sábio,
ou pelo menos parece ser.
A noite passada já é história
e eu ainda a protagonizo.
Alex Moura
sexta-feira, 14 de abril de 2017
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