sábado, 7 de julho de 2018

enfim só (Reflito)

a diversidade
atômica de Epicuro
é cruel,
não há um sequer
como eu,
nem como você.

sempre estivemos
tao sós,
não há
quem como a gente.

ninguém
dorme o nosso sono,
ninguém
sente a nossa fome,
estamos sempre
tão sós,
nós atados
de uma só linha,
só sua,
só minha.
Nossa!
sempre estivemos
tão sós.

poeira de estrela,
de pó em pó
que se faz a sujeira.
sempre estivemos
tão sós,
que não existem pós,
pó é coisa pra um
não pra nós.

ninguém
goza o nosso gozo,
ninguém
sabe por outro
o que é gostoso.
pra saber
tem que gostar,
não basta
falar que gostou.

sempre estivemos
tão sós,
ninguém
fala pela nossa voz.

Alex Moura

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