niterói, 20 de marçagosto de 2020. (as várias noites de um mesmo dia)
durmo
as várias noites
de um mesmo dia
há cinco meses,
eu,
que costumava ir à rua
só porque não fui.
como ficar
um dia inteiro trancado?
estou dentro do mesmo dia,
do mesmo apartamento,
da mesma ansiedade,
transitando
entre a estagnação
e a velocidade.
só não estou
dentro da mesma vida,
essa
não é mais o que era,
o que foi
e nem é ainda
o que será.
faço o que me é
obrigado fazer,
não faço
o que me é conveniente.
não tenho vivido
por conveniência,
mas por obrigação.
do toc
evito o real
e carrego o risco.
num misto de inveja
e cancelamento,
observo
os já livres de tudo,
enquanto permaneço,
guardado,
do mundo pra dentro,
entre não-ser
e demoramento.
Alex Moura

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