segunda-feira, 7 de setembro de 2020

 niterói, 20 de marçagosto de 2020. (as várias noites de um mesmo dia)


durmo

as várias noites

de um mesmo dia

há cinco meses,

eu,

que costumava ir à rua

só porque não fui.


como ficar

um dia inteiro trancado?

estou dentro do mesmo dia,

do mesmo apartamento,

da mesma ansiedade,

transitando

entre a estagnação

e a velocidade.


só não estou

dentro da mesma vida,

essa

não é mais o que era,

o que foi

e nem é ainda

o que será.


faço o que me é

obrigado fazer,

não faço

o que me é conveniente.

não tenho vivido

por conveniência,

mas por obrigação.


do toc

evito o real

e carrego o risco.

num misto de inveja

e cancelamento,

observo

os já livres de tudo,

enquanto permaneço,

guardado,

do mundo pra dentro,

entre não-ser

e demoramento.


Alex Moura

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