segunda-feira, 7 de setembro de 2020

de dentro (as várias noites de um mesmo dia)


os objetos não mudaram

o que mudou foi o sentir,

um empirismo revelado,

a observação de dentro,

guardado do outro lado.


cada vez mais sozinho,

errado,

ouvindo de dentro

o baile que torci

pra não ser convidado.

eu não sei

dançar essa música,

me falta ar

pra acompanhar o compasso.


e sem saber

muito bem o que faço,

vou vivendo

um esforço hercúleo

pra evitar julgamento,

transitando entre

memória, saudade e testamento.


Alex Moura

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